domingo, 3 de novembro de 2013
New Romantics
Em 1998, antes de voltar a escutar coisas mais trevosas, eu estava muito ligado ao synth pop dos 80’s executado por bandas da cena New Romantic que foi mais um hype fashionista em torno dos frequentadores do club Blitz do que propriamente um estilo musical.
Esta moda foi concebida e adotada por ex-punks (ligados às escolas de arte e design), fãs de Bowie e Kraftwark. Essas referências musicais e de estilo foi à forma ideal para esses jovens manifestarem o seu descontentamento com a era Tatcher, ministra que se identificava muito mais com os tempos vitorianos, quando o assunto era as classes operárias. Para ela os trabalhadores "deveriam saber bem o seu lugar", ficando a mercê da sorte, sem nenhum auxilio do governo. Pensando nisso, a resposta dos new romantics veio de forma irônica e andrógina, o que deixou os mais moralistas bem incomodados. Conceitualmente ou não, esta estética ajudou dar um pouco de cor, glamour e contraste a este periodo de enorme recessão que a Inglaterra passava naquele período, que ficou conhecido para muitos como “the new dark ages”, uma analogia a sombria Idade Média. Naquela conjuntura, a única saída parecia ser mesmo se maquiar, se produzir e procurar refúgio nos clubs noturnos, onde as coisas pareciam ser mais interessantes e era possivel ver um verdadeiro desfile de "piratas" e perrots futuristas dançando com ar blasé e melancólico.
Esta coletânea não se difere tanto de outras coletâneas do gênero. É um greatest hits que deve animar as noites e ouvidos mais nostálgicos que tem achado também a nossa realidade um tanto cinza e insossa. Dentro da pasta há o booklet colorido em 300 dpis para quem quiser gravar em audio e colocar numa capa slim.
track list:
1. Duran Duran - Planet Earth
2. ABC - Poison Arrow
3. Visage - Fade To Grey
4. Classix Nouveaux - Guilty
5. Spandau Ballet - To Cut a Long Story Short
6. Yazoo - Nobody's Diary
7. Altered Images - Don't Talk to Me About Love
8. Kajagoogoo - Too Shy
9. A Flock Of Seagulls - Wishing (If I Had A Photograph Of You)
10. Heaven 17 - Let Me Go
11. Japan - Ghosts
12. Culture Club - Do You Really Want To Hurt Me?
13. Soft Cell - Tainted Love
14. Bow Wow Wow - I Want Candy
15. The Human League - Don't You Want Me
16. Ultravox - Vienna
17. Thompson Twins - Doctor! Doctor!
18. Adam & the Ants - Stand and Deliver
19. Dead or Alive - You Spin Me 'Round (Like a Record)
*download here*
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
Christian Death & Rozz news
No dia 13 de outubro Valor Kand encerrou um giro pelos EUA e Canadá. O seu Christian Death apresentou basicamente o mesmo show (set list, estética de palco etc) American Inquisition tour. Curiosidade: as músicas mais tocadas naquela época foram compostas por Rozz; "Sleepwalk", "This Glass House" e "Cavity". Penso que esta mini turnê foi um aquecimento (ou algo do tipo “não esqueçam da gente, estamos vivos”) para um novo álbum que deve ser lançando em breve. Pelo que andei lendo de comentários no youtube ou em reviews, o público (leia-se os fãs, já que a banda não anda lotando tantos clubs assim) reagiu bem a seus shows. Durante estas apresentações, a executou uma música inédita chamada "The Selfish Gene" que provavelmente fará parte deste trabalho de estúdio. Eu não a escutei ainda, mas acredito que não deva deve sair do habitual “death-goth-metal” desta encarnação cuja a concepção visual é um tanto duvidosa.
Em novembro agora Rozz faria 50 anos de idade. Enquanto a
Malaise Musica não se manifesta sobre a interrupção da série Lost
Recordings do Premature Ejaculation, a Cult Music (o braço musical da Cult Films
de Nico B, que relançou há poucos meses a versão blue-ray do curta-metragem Pig com subtítulo 1334 em embalagem deluxe)
anunciou para o próximo mês um disco com gravações ao vivo raras feitas na Bélgica
(em Waregem e Brugge, entre 1993 e 94), Los Angeles em 1997 (em uma das ultimas
aparições do artista). Sleeping Dogs sairá tanto em vinil (duplo com capa
gatefold) quanto em cd (este formato sairá apenas nos EUA e distribuído pela Entertainment
One) em edição limitadíssima. Para cada formato haverá uma capa diferente,
sendo que no vinil há três versões do bolachão; uma com vinil preto (prensagem de 300 cópias),
mármore (100 copias) e rajada (100 copias). No cd (da qual a capa é uma máscara
mortuária) há uma versão alternate de "Nostalgia". Para fãs colecionadores, eu aconselho
adquirir estas peças logo, pois assim que foram anunciadas as pré-vendas elas se esgotaram rapidamente em algumas lojas virtuais.
LP tracks:
Side A: Time / Nostalgia / Bruised / Dodo / Kill Your Suns
Side B: Hold Me Down / Flowers / The Doll
Side C: World Inside / Hall of Mirrors / 2nd Step / Sunken Rex
Side D: Moonage Daydream / Raw Power
CD tracks:
01 Time
02 Nostalgia
03 Bruised
04 Flowers
05 Dodo
06 Kill Your Suns
07 Hold Me Down
08 The Doll
09 World Inside
10 Hall of Mirrors
11 2nd Step
12 Sunken Rex
Bonus: 1
13 Nostalgia (Alternate Version)
LP tracks:
Side A: Time / Nostalgia / Bruised / Dodo / Kill Your Suns
Side B: Hold Me Down / Flowers / The Doll
Side C: World Inside / Hall of Mirrors / 2nd Step / Sunken Rex
Side D: Moonage Daydream / Raw Power
CD tracks:
01 Time
02 Nostalgia
03 Bruised
04 Flowers
05 Dodo
06 Kill Your Suns
07 Hold Me Down
08 The Doll
09 World Inside
10 Hall of Mirrors
11 2nd Step
12 Sunken Rex
Bonus: 1
13 Nostalgia (Alternate Version)
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Discos dos bãos...
Arrumar discos (quando se tem uma coleção consideravelmente grande) é uma tarefa interessante. No meu caso, vejo que sou meio reacionário em termos musicais - praticamente gosto das mesmas coisas há quase 25 anos. Nestas tarefas de limpa-los e coloca-los numa ordem mais ou menos coerente acabo (re) descobrindo coisas interessante que ao menos eu tinha tirado o lacre.
O Discogs é um dos meus "xodós" para listar meu inventário discográfico e adquirir peças que fazem parte da minha wanted list que não para de crescer.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
Por enquanto não é o fim
Este é apenas um parecer que descarta a possibilidade (a falta de posts nestes últimos meses é resultado de uma certa preguiça também) de abandono deste blog. Reapareço para falar há muito material interessante e raro que quero apresentar por aqui. Estou preparando a passos de tartaruga um pequeno tratado de uma das bandas de cabeceira e que há tempo merecia uma nota: The Chameleons que vem relançando seus álbuns pelo selo Blue Aple Music. Para quem ainda compra discos, vale a pela adiquiri-los, no entanto não aconselho se desfazer das antigas edições que estão virando relíquias (ou seja estão bem valorizadas). Não há previsão que haja um re-release do aclamado Strange Times, já que o direitos pertencem a major americana Geffen, a mesma dos seus conterrâneos de Manchester Stones Roses (que bebeu de alguma forma de Chameleons considerado por mim pelo menos, um dos alicerces da cena que culminaria não só com a nomenclatura "Madchester", mas como o Brit Pop como um todo, dadas as devidas coloborações do rock indie melancólico e onírico de Echo & The Bunnymen, The Sound...). Se alguém não conhece o embrião do Chameleons, chamado de Years terá a oportunidade de escutar num próximo volume da Cadavres Exquis (material é que não falta). (In)conscientemente o conceito deste blog tem como base o espírito "elegance avec decadencedecadente" do pos-punk do fundo do porão, que parece ser inesgotável. Nestas garimpadas foi legal saber que já ouve um lançamento em fita K7 de uma coletânea homônima em 1984 pelo selo canadense Chimik Communications, cujo set mostrava o que acontecia de mais estranho e barulhento na Alemanha, Inglaterra e outros paises cuja veia vanguardista sempre foi determinante. Devo disponibilizar esta peça aqui, embora seja uma velha conhecida do aficionados "hardocores". Digo isso também porque vejo que há um interligação muito forte entre as músicas que fazem a minha cabeça e de muita gente que gentilmente oferece perolas para nossos ouvidos, como os blogs irmãos Crispy Nuggets, Fritz Die Spinne, Punks on Postcards, Phoenix Hairpins e o majestoso Systems of Romance. Mesmo com o acervo de incalculável valor disponinilizados em mp3, eles nos instigam a engordar mais a nossa coleção de vinil e fitas cassete que voltaram a circular em alguns catálogos novos minimal wave. A fita cassete, pelo menos pra mim, foi muito importante até como captação de uns programas antigos de radio, trocas que conseguiram moldar de alguma forma meu gosto musical. Devo ter uma caixa cheio delas. As “seladas”(originais) dividem espaço com vinis e posso dizer que são poucos os privilegiados que possuem peças ao vivo do lendário selo Rior Records, como Ecstasy & Vendetta Over New York (showzão do Sex Gang Children no club Danceteria em NY, em 1983 que ganhou edição de cd pela Cleopatra no começo dos anos de 1990) e Decomposition of Violets do Christian Death que ganharia edições em vinil e em cd bem mais tarde, quando a banda já tinha se espatifado em duas. Mas desta coleção de K7 há uma que prometo um dia (em breve) disponibilizar aqui assim que eu digitalizar: a demo-tape Céu Cinza da banda gótica paulistana Abadon que hoje se transfigura pelo nome de Outro Destino, onde as letras "sem papas na língua" de Fábio desfilam num som mais pesado (heavy), diferente da sonoridade “goth/dark wave” (Sisters e a geração de gothic rock alemão noventista eram as inspirações dos arranjos, porém de forma mais tímida e limpa, pelo menos em versões estúdio) que eles propunham dos anos de 1995. É um registro que vale a pena ser imortalizado, já que esta fase antecede também o bem conhecido Imperial, que participou da coletânea Violet Carson onde a nova/velha cara do bem defasado (no sentido de apoio e qualidade sonora/estética) cenário "gótico" tupiniquim (leia-se São Paulo-Rio-Brasilia) que ainda (*bosejos*) dava sinais "vida". Muitas dequeles bandas que surgiram há mais 20 anos atrás não entendiam ou não sacavam nada da sofisticação contra tempo da bateria (ironicamente é como vinho; só é bom nas antigas safras). Voltando a falar da Céu Cinza: achei uma pena terem desperdiçado e lapidado exageradamente o talento do baterista André. Suas batucadas foram camufladas por uma bateria eletrônica que ele mesmo conduziu por “ordens maiores"(o tecladista na época não queria nada que sobrepusesse seu instrumento cheio de efeitos e strings clichês). Quem determinou isso desconhece que o improviso selvagem e um tanto ambíguo (pra não dizer afetado) do verdadeiro pós-punk faz toda a diferença. O que alguns ali chamavam de "gothic rock pra macho" (antitese do "chabi", apelido ou anagrama inventado por alguns integrantes da banda que direcionava aos góticos mais afeminados), tinha um argumento paltado mais no coro de torcida gaúcha, do Grêmio em especial. Para quem viu meu irmão aprendendo a tocar bateria em panelas, sabe que isso fodeu um pouco o resultado e poderia ter sido melhor. Havia um potencial latente que foi anulado por uma certa vaidade, mas que gerou músicas fortes como “Estátuas” que teria virado (caso fosse executada por algum DJ) um hit nos clubs, ao lado de "Pânico e Solidão" do Cabine C, de dez anos antes. As adversidades da vida impediram que isso acontecesse. No entanto, parece que a missão de ir contra maré do tempo dá resultados; e a poesia de Fábio é o tapa na cara merecido de quem ainda é está deslumbrado com este deserto vivo da pós-modernidade, com estes dias de pesadelo entulhados de fantasia...Por enquanto é isso.
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