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sábado, 11 de janeiro de 2014

Hidden Madness - compilation

Ouvir estes sons não deixa de ser uma forma de refúgio (imaginário) deste calor insalubre e estranhamente comemorado por muitos. Hidden Madness trás velharias e coisas contemporâneas numa harmonia que só os toques gélidos e atemporais da cold/minimal wave é capaz de produzir.
 
 
 
  1. Soma Sema - Under Waves
  2. Bal Paré - In meiner Erinnerung
  3. Shock - R.E.R.B.
  4. Lebanon Hanover - Ice Cave
  5. Twilight Ritual - L'uomo Moderno
  6. Xeno & Oaklander - Nuit
  7. Shoc Corridor - A Blind Sign
  8. Sixth June - Come Closer
  9. EMAK 1 - Tanz In Den Himmel
  10. Tropic Of Cancer - A Color
  11. Twice A Man - Sorrow
  12. Adolphson & Falk - 5 E Avenyn
  13. Martial Canterel - Steele
  14. Gina X Performance - Waiting
  15. Martin Dupont - Your Passion
  16. Nocturnal Emissions - Don't Believe It's Over
*download*

Para quem não quer baixar, apenas escutar:
https://soundcloud.com/rod-heltir/hidden-madness-compilation
(desculpem, mas não eu consegui compartilhar o player diretamente aqui pois o site não está me dando a opção do código).

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Bastard Disco - vol. 3


Outra série que idealizei pra este blog foi a Bastard Disco; coletânea que tem como proposta resgatar alguns sucessos esquecidos que invadiram algumas pistas (lá de fora) durante a década de 1980 e comecinho dos anos 90, que não deixa de ser também uma sugestão aos DJ's nostálgicos daqui para que variem um pouco seu arroz & feijão de sempre. Para fechar a trilogia disponibilizo este volume em formato duplo repleto de "rare hits" tanto do synthpop quanto de italo disco (que marca grande presença com alguns clássicos de Fred Ventura, Savage, Valerie Dore e P. Lion), como seu subtítulo sugere. Dario Dell'aere é um outro nome da italo, mas daquela ala mais "dark" (underground também), na linha do Decadence. O vocalista do Fockewulf 190 aparece aqui com o single "Eagles In The Night" (1985), cujo o vinil original pode ser encontrado por ai pela bagatela de 600 euros
A "Bastard Disco - vol. 3" é um belo e derradeiro apanhado para quem curte estas dançantes e hipnotizantes velharias. Como de costume, dentro de cada pastas há a capa e a contra capa em alta resolução e colorida (em *.pdf) para aqueles que ainda queimam cds. Não estranhem o peso dos arquivos, pois estão encodados em 256kbps com equalização máxima para estourar os tímpanos em um player portátio ou num subwoofer potente. Enjoy and lets dance!




CD 1
1. Bazooka Joe - Smallville
2. Samedi - Between Two Hearts
3. Fred Ventura - Leave Me Alone (7" version)
4. Savage - Don't Cry Tonight
5. Shark Vegas - You Hurt Me (version)
6. Twins - Face To Face, Heart To Heart
7. Pink and Black - Sometimes I Wish
8. A Popular History Of Signs - Art Of Persuasion
9. Valerie Dore - The Night (extended mix)
10. Moskwa TV - Brave New World (12" Version)
11. Fresh Color - Number One
12. Fake - Donna Rouge (original extended version)
13. SPK - Flesh And Steel
14. Dario Dell'aere - Eagles In The Night

CD 2
1. Michael Cretu - Samurai
2. Fashion - No Name
3. Venetian - So Much For Love
4. Parade Ground - Gold Rush
5. Clio - Faces (extended)
6. Invisible Limits - No Tears (Big Shambles Of Broken)
7. Lovables - It's Beautiful
8. The Mysterious Art - Requiem
9. Kano - Ikeya Seki (12" mix)
10. Boxbury Beat - Thunder And Lightning
11. Colour Radio - Adrianna Dreams
12. Private Blue - She's Love
13. P. Lion - Happy Children
14. Fatal Charm - Summer Spies
*download here*


Saiba mais e baixe também:
- Bastard Disco - vol. 1
- Bastard Disco - vol. 2

domingo, 3 de novembro de 2013

New Romantics


Em 1998, antes de voltar a escutar coisas mais trevosas, eu estava muito ligado ao synth pop dos 80’s executado por bandas da cena New Romantic que foi mais um hype fashionista em torno dos frequentadores do club Blitz do que propriamente um estilo musical.

Esta moda foi concebida e adotada por ex-punks (ligados às escolas de arte e design), fãs de Bowie e Kraftwark. Essas referências musicais e de estilo foi à forma ideal para esses jovens manifestarem o seu descontentamento com a era Tatcher, ministra que se identificava muito mais com os tempos vitorianos, quando o assunto era as classes operárias. Para ela os trabalhadores  "deveriam saber bem o seu lugar", ficando a mercê da sorte, sem nenhum auxilio do governo. Pensando nisso, a resposta dos new romantics veio de forma irônica e andrógina, o que deixou os mais moralistas bem incomodados. Conceitualmente ou não, esta estética ajudou dar um pouco de cor, glamour e contraste a este periodo de enorme recessão que a Inglaterra passava naquele período, que ficou conhecido para muitos como “the new dark ages”, uma analogia a sombria Idade Média. Naquela conjuntura, a única saída parecia ser mesmo se maquiar, se produzir e procurar refúgio nos clubs noturnos, onde as coisas pareciam ser mais interessantes e era possivel ver um verdadeiro desfile de "piratas" e perrots futuristas dançando com ar blasé e melancólico.

Esta coletânea não se difere tanto de outras coletâneas do gênero. É um greatest hits que deve animar as noites e ouvidos mais nostálgicos que tem achado também a nossa realidade um tanto cinza e insossa. Dentro da pasta há o booklet colorido em 300 dpis para quem quiser gravar em audio e colocar numa capa slim.

track list:
1. Duran Duran - Planet Earth
2. ABC - Poison Arrow
3. Visage - Fade To Grey
4. Classix Nouveaux - Guilty
5. Spandau Ballet - To Cut a Long Story Short
6. Yazoo - Nobody's Diary
7. Altered Images - Don't Talk to Me About Love
8. Kajagoogoo - Too Shy
9. A Flock Of Seagulls - Wishing (If I Had A Photograph Of You)
10. Heaven 17 - Let Me Go
11. Japan - Ghosts
12. Culture Club - Do You Really Want To Hurt Me?
13. Soft Cell - Tainted Love
14. Bow Wow Wow - I Want Candy
15. The Human League - Don't You Want Me
16. Ultravox - Vienna
17. Thompson Twins - Doctor! Doctor!
18. Adam & the Ants - Stand and Deliver
19. Dead or Alive - You Spin Me 'Round (Like a Record)


*download here*

domingo, 22 de setembro de 2013

Por enquanto não é o fim


Este é apenas um parecer que descarta a possibilidade (a falta de posts nestes últimos meses é resultado de uma certa preguiça também) de abandono deste blog. Reapareço para falar há muito material interessante e raro que quero apresentar por aqui. Estou preparando a passos de tartaruga um pequeno tratado de uma das bandas de cabeceira e que há tempo merecia uma nota: The Chameleons que vem relançando seus álbuns pelo selo Blue Aple Music. Para quem ainda compra discos, vale a pela adiquiri-los, no entanto não aconselho se desfazer das antigas edições que estão virando relíquias (ou seja estão bem valorizadas). Não há previsão que haja um re-release do aclamado Strange Times, já que o direitos pertencem a major americana Geffen, a mesma dos seus conterrâneos de Manchester Stones Roses (que bebeu de alguma forma de Chameleons considerado por mim pelo menos, um dos alicerces da cena que culminaria não só com a nomenclatura "Madchester", mas como o Brit Pop como um todo, dadas as devidas coloborações do rock indie melancólico e onírico de Echo & The Bunnymen, The Sound...). Se alguém não conhece o embrião do Chameleons, chamado de Years terá a oportunidade de escutar num próximo volume da Cadavres Exquis (material é que não falta). (In)conscientemente o conceito deste blog tem como base o espírito "elegance avec decadencedecadente" do pos-punk do fundo do porão, que parece ser inesgotável. Nestas garimpadas foi legal saber que já ouve um lançamento em fita K7 de uma coletânea homônima em 1984 pelo selo canadense Chimik Communications, cujo set mostrava o que acontecia de mais estranho e barulhento na Alemanha, Inglaterra e outros paises cuja veia vanguardista sempre foi determinante. Devo disponibilizar esta peça aqui, embora seja uma velha conhecida do aficionados "hardocores". Digo isso também porque vejo que há um interligação muito forte entre as músicas que fazem a minha cabeça e de muita gente que gentilmente oferece perolas para nossos ouvidos, como os blogs irmãos Crispy NuggetsFritz Die Spinne, Punks on PostcardsPhoenix Hairpins e o majestoso Systems of Romance. Mesmo com o acervo de incalculável valor disponinilizados em mp3, eles nos instigam a engordar mais a nossa coleção de vinil e fitas cassete que voltaram a circular em alguns catálogos novos minimal wave. A fita cassete, pelo menos pra mim, foi muito importante até como captação de uns programas antigos de radio, trocas que conseguiram moldar de alguma forma meu gosto musical. Devo ter uma caixa cheio delas. As “seladas”(originais) dividem espaço com vinis e posso dizer que são poucos os privilegiados que possuem peças ao vivo do lendário selo Rior Records, como Ecstasy & Vendetta Over New York (showzão do Sex Gang Children no club Danceteria em NY, em 1983 que ganhou edição de cd pela Cleopatra no começo dos anos de 1990) e Decomposition of Violets do Christian Death que ganharia edições em vinil e em cd bem mais tarde, quando a banda já tinha se espatifado em duas. Mas desta coleção de K7 há uma que prometo um dia (em breve) disponibilizar aqui assim que eu digitalizar: a demo-tape Céu Cinza da banda gótica paulistana Abadon que hoje se transfigura pelo nome de Outro Destino, onde as letras "sem papas na língua" de Fábio desfilam num som mais pesado (heavy), diferente da sonoridade “goth/dark wave” (Sisters e a geração de gothic rock alemão noventista eram as inspirações dos arranjos, porém de forma mais tímida e limpa, pelo menos em versões estúdio) que eles propunham dos anos de 1995. É um registro que vale a pena ser imortalizado, já que esta fase antecede também o bem conhecido Imperial, que participou da coletânea Violet Carson onde a nova/velha cara do bem defasado (no sentido de apoio e qualidade sonora/estética) cenário "gótico" tupiniquim (leia-se São Paulo-Rio-Brasilia) que ainda (*bosejos*) dava sinais "vida". Muitas dequeles bandas que surgiram há mais 20 anos atrás não entendiam ou não sacavam nada da sofisticação contra tempo da bateria (ironicamente é como vinho; só é bom nas antigas safras). Voltando a falar da Céu Cinza: achei uma pena terem desperdiçado e lapidado exageradamente o talento do baterista André. Suas batucadas foram camufladas por uma bateria eletrônica que ele mesmo conduziu por “ordens maiores"(o tecladista na época não queria nada que sobrepusesse seu instrumento cheio de efeitos e strings clichês). Quem determinou isso desconhece que o improviso selvagem e um tanto ambíguo (pra não dizer afetado) do verdadeiro pós-punk faz toda a diferença. O que alguns ali chamavam de "gothic rock pra macho" (antitese do "chabi", apelido ou anagrama inventado por alguns integrantes da banda que direcionava aos góticos mais afeminados), tinha um argumento paltado mais no coro de torcida gaúcha, do Grêmio em especial. Para quem viu meu irmão aprendendo a tocar bateria em panelas, sabe que isso fodeu um pouco o resultado e poderia ter sido melhor. Havia um potencial latente que foi anulado por uma certa vaidade, mas que gerou músicas fortes como “Estátuas” que teria virado (caso fosse executada por algum DJ) um hit nos clubs, ao lado de "Pânico e Solidão" do Cabine C, de dez anos antes. As adversidades da vida impediram que isso acontecesse. No entanto, parece que a missão de ir contra maré do tempo dá resultados; e a poesia de Fábio é o tapa na cara merecido de quem ainda é está deslumbrado com este deserto vivo da pós-modernidade, com estes dias de pesadelo entulhados de fantasia...Por enquanto é isso.

domingo, 28 de abril de 2013

Cadavres Exquis - vol. 4 (double)




Depois de quase um mês sem postar, eis que o quarto volume Cadavres Exquis ficou pronto. Sua seleção foi meio demorada, já que a quantidade de bons sons se multiplicava conforme ia garimpando coisas que ficaram perdidas ou esquecidas no tempo (com exceções a nomes já em conhecidos como Asylum Party e UV Pøp, por exemplo). De 200 músicas que separei, escolhi 38, o que resultou numa edição dupla; formato que seguirá se houver edições posteriores.

O que difere um pouco do que já foi mostrado anteriormente, é a presença de nomes fora do circuito pós-punk europeu, como o DA!. Formado em Chicago (EUA) em 1978 pela vocalista Lorna Donley (com 16 anos na época), a banda tinha uma orientação musical que poderíamos chamar de “no-wave”, contudo referências a Malaria!, Siouxsie and the Banshees e Au Pairs eram evidentes (alguns críticos da época falavam que eram um híbrido de Velvet Underground e Joy Division, ouçam e tirem as próprias conclusões). No Youtube é possível ver um clipe de “Dark Rooms”, que chegou a ser incluído na programação do canal a cabo Rock America, uma espécie de pré-MTV. Apesar de conquistarem uma certa popularidade no agitado circuito alternativo da costa leste estadunidense, eles desapareceram após lançarem apenas dois singles. Em 2010 sua memória felizmente resgatada no LP póstumo Exclamation Point - [Un]released Recordings 1980-81 que saiu pelo selo nova-iorquino Factory 25. A Austrália é representada aqui pelo Soggy Porridge, que teve uma história parecida com o DA!; em vida também gravou dois singles entre 1982 e 83. Em 2006, estes dois compactos junto à diversas outtakes e captações ao vivo foram reunidos num cd-r duplo editado por um selo fundo de quintal.

De resto, o track list desta coletânea é completo com bandas que reproduzem o clima (seja mais orgânico ou cold wave) característico da série, que propõe imersão e um mergulho sonoro que nos remetem aos decadentes porões alternativos de 30 anos atrás ou à outros cenários soturnos, onde os espíritos mais nostálgicos (nauseados pelos hypes) escolhem se refugiar.

Para quem ainda gosta de gravar em cdr de áudio e guardar na coleção de discos, dentro da pasta há toda arte colorida (sleeve) em tamanho para ser colocado em case duplo.

CD 1
1. Cortex - Cortex Y
2. Venus In Furs - Love Lies
3. UV Pøp - See You
4. Day After - Ticking Away
5. EL - Visshet
6. Asylum Party - Madhouse Grass
7. Soul - Tribes
8. Royal Family And The Poor - The Dawn Song
9. DA! - Dark Rooms
10 Clair Obscur - Psychiatric
11. Japanese Genius - Pikah O Papikah (Part 1)
12. Bartok - Insanity
13. Weimar Gesang - Chantal's Secret
14. Isolation Ward - Remember
15. Dark White - Dramatics
16. Flue - Hermit
17. Turquoise Days - Alternative Strategies
18. Soggy Porridge - How Can I Tell You
19. 4D - Dreidimensional

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CD 2
1. Marquis De Sade - Wanda's Loving Boy
2. Clock DVA - Brigade
3. Schleimer K - Demon Lus
4. Box Of Toys - Precious Is The Pearl
5. The Eternal - Wait
6. A4 Gerechtigskeits Liga - Existenz & Utopie
7. In Camera - Final Achievement
8. Deux - Decadence
9. Kaa Antilope - Back in India
10. Burning Skies of Elysium - Far From The Crowd
11. Begin Says - Arbeit
12. Dilemma - Dracula
13. Second Layer - Metal Sheet
14. Camera Obscura - Mystery Box
15. Dark Day - Laughing Up Your Sleeve
16. The Naughtiest Girl Was A Monitor - What We Don't Want To See
17. Positive Noise - No More Blood And Soil
18. John Foxx - Piano Piece
19. Opposition - New Homes

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terça-feira, 19 de março de 2013

Cadavres Exquis - vol. 1 (reissue remastered)

 
Este frio me fez lembrar que o a coletânea Cadavres Exquis vol. 1 não estava disponível para download. Enquanto preparo o seu quarto volume, fiquem com o link deste “ressuie remasterizado” (com a mesma qualidade e compressão dos volumes 2 e 3), assim como os dos outros dois volumes para vocês irem completando a série.
 
Aproveitem.



sábado, 26 de janeiro de 2013

Adrian Borland - A Collection

 
Adrian Borland deixou este mundo em abril de 1999. Porém, para aqueles que admiram bons sons, tudo que ele fez perdura, ou melhor, ecoa até os dias de hoje, como eu já havia escrito nesta resenha dedicada à ele. Esta admiração por parte dos poucos (e fieis) seguidores não é apenas dirigida à contemplação de sua obra; Adrian é acima de tudo é uma referência no que se entende por ser alternativo, virtude que não é uma mera afetação momentânea ou juvenil. Sua influência já atravessa a terceira década com a mesma força aos ouvidos mais sensíveis que desprezam o indie atual, que nada mais é que um grande saco de merda anêmico.

Depois do fim do The Sound, alguns duvidaram que suas criações não tivessem o mesmo brilho daquelas concebidas com os seus antigos companheiros de banda. As apostas negativas foram em vão: ele mostrou que tinha autonomia e talento de sobra seguir em frente. Era nítido perceber que sua intensidade poética ficou ainda mais apurada a partir dos projetos pós-Sound ou em carreira solo, onde mostrou que estava seu auge criativo. Para tirar a prova dos nove, a velha fórmula teve que ser deixada um pouco de lado (ou, melhor, ficou mais diluída, o que emblematicamente se comprova mesmo nas releituras acústicas de clássicos do Sound). Brotaram assim harmonias mais coesas, o que evidenciava que o guitarrista e cantor estava mesmo no mesmo patamar de grandes letristas dos anos de 1980’s como Ian Curtis, que foi de fato o grande responsável por Adrian introduzir a veia ultra-romântica em suas canções quando extinguiu os Outsiders para ser um dos principais alicerces do pós-punk (na verdade é muito difícil dissociar o cenário do protagonista, já que a tragetória de Adrian se confunde com a história do próprio “movimento”). 

Embora ele estivesse mais introspectivo nesta aposta “individual”, as bases destas novas composições eram embaladas por melodias mais leves, para não dizer na lata, com grande potencial comercial. Basta ouvir peças como “Light The Sky”, “Rogue Beauty” e a arrebatadora balada “Destiny Stopped Screaming“ para se comprovar isto.

O que ofereço aqui é uma compilação das minhas músicas prediletas a partir do projeto The Citizens até culminar em sua derradeira e inspirada carreira solo, ignorada injustamente pelos charts da época. Ainda que ele tenha colaboraco no início do White Rose Transmission, preferi deixar as composições desta fase de fora, uma vez que, em minha opinião, não carregava tanto aquela áurea de “trovador-pós-punk” que eu tanto admiro em seus passos solitários.

Track list:
1. Light The Sky*
2. Long Dark Train
3. Dangerous Stars
4. Stranger In The Soul
5. Wild Rain (acoustic session)
6. Under Your Black Sun (demo)
7. AWalking in the Opposite Direction (acoustic session)
8. Baby Moon
9. Cinematic
10. I'm Your Freedom
11. Prisoners Of The Sun
12. Rogue Beauty
13. Destiny Stopped Screaming
14. Shadow Of Your Grace*
15. We Are the Night (live acoustic)
16. Love Is Such a Foreign Land (acoustic session)
17. Hand of Love (acoustic session)
18. No Ethereal
*Adrian Borland & The Citizens


*download here*

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dark Wave & Gothic Collection



 

Essa coletânea dupla é resultado de uma seleção que eu escutava numa destas noites ociosas de final de semana...Ela não contém raridades; possui na verdade até alguns "hits" das pistas alternativas, o que dá aos leigos uma boa introdução à dark wave, este subgênero que, embora de conotação tão ampla, é considerado um dos menos controversos dento das chamadas gothic tendencies, uma vez que as bandas classificadas de tal maneira (seja visualmente ou musicalmente) assumem sem maiores problemas clichês específicos deste universo. Das bandas deste set list, há poucos (porém marcantes) exemplos de vozes etéreas (diretamente inspirados em Dead Can Dance que marca presença com a hipnotizante "Mesmerism") - Love Is Colder Than Death e Chandeen apresentam-se com canções mais densas do início de carreira, quando ainda davam os primeiros passos (ou acordes) nas coletâneas do lendário selo Gothic Arts Records que revelou coisas interessantes da cena "dark" e EBM alemã de duas décadas atrás, como Rue Du Mort (efêmero e obscuro projeto de Frank Schmitt do Permanent Confusion) que aparece aqui com a famosa "Nathaly", música extraída da única demo tape dos caras e que fez parte das compilações (hoje relíquias) This Mourning Sacrilege (1992) e An Ideal For Living - vol. 1 (1993). O Rue Du Mort, ao lado de Chateau Royale (um duo anglo-português que já teve um nota neste blog), Mute Angst Envy faz parte daquela ala de grupos que tinham um grande potencial, mas acabaram caindo no esquecimento. Embora quase tudo esteja concentrado nos anos de 1990, The Frozen Autumn e Diary Of Dreams (que estiveram recentemente aqui em SP) mostram que é possível ser (e soar) atual promovendo um autêntico revival da romantic dark wave dos anos 80. Harmonias taciturnas, melancólicas e sintetizadas (as vezes beirando o electro-goth) é o que encontrarão aqui. Creio que a maioria dos outros artistas dispensam grandes apresentações e comentários. Basta baixar, ouvir e dançar contra a parede (limpa de preferência). Caso tenha ficado de fora algum nome indispensável, aceito sugestões nos comentários, o que pode dar origem a um segundo volume. Aproveitem.

Ps: Para quem quiser queimar em cd-r, dentro de uma das pastas estão a capa e a contra capa em tamanho real, assim como o selos (em pdf) para imprimir nos discos. Todos os mp3's estão com índice de compressão de 256kbps e equalizados/normalizados no Soundforge 8.0.

CD1
1. The Frozen Autumn - This Time (Electro Mix)
2. Anechoic Chamber - Lies
3. Endraum - Der Rosengarten (edit)
4. Other Day - Spiegel
5. Dead Can Dance - Mesmerism
6. Chandeen - Recall Me
7. Poesie Noire - Tragedy
8. Switchblade Symphony - Gutter Glitter
9. New Dawn Fades - Always And Everywhere
10. Rue Du Mort - Nathaly
11. Ghosting - Spell
12. Blessing In Disguise - Here Comes The Rain Again (radio dit)
13. Drown For Resurrection - Prediction
14. Love Is Colder than Death - Love and Solitude
15. In My Rosary - Tar

*download here*

CD2
1. Chateau de Joie - You (choir mix)
2. Clan Of Xymox - Agonised By Love
3. Angina Pectories - The Agony After
4. Kirlian Camera - Blue Room
5. Limbo - Hermaphrodita
6. Paralysed Age - Dark
7. Collection d'Arnel-Andréa - Aux Mortes Saisons
8. Mute Angst Envy - Catacombs
9. Chateau Royale - Christiane F.
10. In Mitra Medusa Inri - The Circle
11. Passion Noire - World's Decay
12. The Tear Garden - Ophelia (edit)
13. Diary Of Dreams - Cold Deceit
14. Second Decay - I'm Leaving
15. Escape With Romeo - White Room (remixed)

*download here*

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Joe Crow - Compulsion

O músico inglês Joe Crow começou a carreira em 1976 como membro da banda punk The Prefects que chegou lançar, em atividade, apenas um single que é consideradom por muitos admiradores do gênero, um clássico. Devido a sua popularidade nos arredores de Birmingham (além da repercussão alavancada por duas participações no programa radiofônico de John Peel), o Prefects foi convidado para participar da "White Riot" tour organizada pelo The Clash, que também contava com Buzzcocks, Slits, The Fall, Damned entre outros nomes de peso. Um pouco antes do grupo ser rebatizado de The Nightgales, Joe partiu para carreira solo, adotando os sintetizadores como base de suas composições, apostando assim numa sonoridade cold wave que resultou em 1982 no single 7" "Compulsion", cuja faixa título passou a também a fazer parte da famosa coletânea da Cherry Red "Pillows & Preyer". A produção do compacto fora assinada por Robert Lloyd dono do selo Vindaloo Records que tinha em seu cast o próprio Prefects e sua posterior encarnação (The Nightgales), entre outras crias do pós-punk. Depois disso, Joe não gravou mais nada, caindo propositalmente no esquecimento. No entanto, "Compulsion" (com seu refrão de sutil inclinação pop - "got to move on sometimes, got to move on sometimes...") acabou virando tardiamente hit nas pistas undergrounds do mundo todo, mais precisamente em 1989, quando ganhou uma elogiadíssima cover de Martin L Gore (Depeche Mode) em seu EP Counterfeit. Redescoberta também por aqui, a música (seja lá qual for a versão) é garantia de pista cheia em qualquer club alternativo (leia-se gótico), uma vez que fora bem difundida nos tempos áureos do projeto Black Sundays ou do antigo Madame Satã.



A side - Compulsion
B side - Absent Friends

*Download Here*

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Bastard Disco - vol. 2

A década de 1980 foi sem dúvida muito fértil para diversos estilos que emergiram depois do punk. Dentro dos gêneros e subgêneros construídos a partir dos moogs e sintetizadores (synth pop, eletro, italo disco etc etc) não faltavam artistas que sonhavam em emplacar algum sucesso nas paradas ou nos clubs. Porém, boa parte (ou grande parte) destas bandas optaram por fazer sua história no underground ou simplesmente se deixaram levar pela maré do esquecimento, sem que ao menos fossem testado seu grande potencial radiofônico. Neste set list (além de algumas figuras carimbadas da cena alternativa) temos, no entanto, dois nomes que sentiram o gostinho do sucesso efêmero e entraram naquela incomoda lista dos "one hit wonder", ou seja, daquelas bandas que ficaram conhecidas ou eternizadas por apenas um hit; When in Rome e Limahl. Além de "The Promise" e "Never End History", respectivamente, esses grupos tinham outras preciosidades guardadas nas mangas que poderiam facilmente grudar nos ouvidos dos que não as conheciam ou satisfazer os que gostariam de escutá-las numa pista de dança retrô antes de morrer. É por isso que material para a continuação da coletânea "Bastard Disco" não faltou e garanto que ainda há muito o que ser resgatado e apresentado em outros volumes...Aproveitem.

1. When In Rome - Wide, Wide Sea
2. Hard Corps - Lucky Charm
3. Dresden China - Fire And Rain
4. Vivien Vee - Blue Disease (Extended Version 1983)
5. Colour Scream - Dance No More (radio mix)
6. Pseudo Echo - I Will Be You
7. Images In Vogue - In The House
8. New Scientists - Shame On You
9. Limahl - Inside To Outside
10. Kissing The Pink - Watching Their Eye
11. Fockewulf 190 - Body Heat (Dario vocal version)
12. Data - Living Inside Me
13. Miro Miroe - Nights Of Arabia (Razormaid!)
14. Section 25 - Crazy Wisdom
15. Kirlian Camera - Ocean (7" version)

*parte 1*
*parte 2*

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nos embalos dos domingos negros....


Depois de eu ter resgatado as memórias de alguns K7 confeccionados pelo Projeto Black Sundays do DJ Tonyy, o próprio idealizador e o Cid disponibilizam em seus respectivos blogs os mais expressivos subprodutos deste que foi sem dúvida uma das iniciativas mais legais que tivemos dentro do cenário gótico nacional. Para cumprir de fato o papel de divulgador desta manifestação cultural (como o próprio Tonyy definia as tais tendências góticas, repudiando, com coerência, a expressão "movimento gótico") os materiais editados para tal missão chamavam atenção pelo capricho e acabamento. No blog do Cid é possível baixar em pdf todos os volumes do periódico Enter The Shadows, além uma resenha de apresentação destes fanzines que foram com certeza os percussores de muitos outros do estilo semeados no circuito alternativo paulistano a partir da segunda metade da década de 1990...Já o Tonyy, depois de muitos tempo sem postar em seu blog, disponibilizou para download as famosas/cultuadas/disputadíssimas coletâneas (já há muito tempo fora de catálogo) "Black Sundays Compilation" (os dois volumes) e "Treibhaus" (trilha sonora/homenagem ao lendário club do mesmo nome) que trazem sons que fazem a cabeça e trás boas lembranças aos mais nostálgicos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uma sopa de hipocrisia...


Só pra lembrar que, assim como o Megaupload, outros sites de compartilhamento e download estão deletando os arquivos suspeitos e ilegais com medo de sofrerem a mesma represaria....Eu tenho uns posts de download com arquivos hospedados no 4shared (que pertence ao Google). Então, corram enquanto há tempo...Há ainda muito alarde, sendo que o projeto ainda nem foi votado, porém tem gente já de olho no bolso caso sejam condenados. Esta história ainda vai longe. Acredito que logo mais uma tecnologia mais atraente vai surgir pra burlar isso, afinal os desafios sempre foram os combustíveis para os atos subversivos dos hackers.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bastard Disco

Ouvi dizer que aquela festa com luz de néon rola "anos 80 chic", mas há quem tenha afirmado que o movimento por lá era como de uma festa "trash" (menos infantilizada, é claro) onde se sentia que a presença dos "amigos" se deu por meio de muita insistência ou por uma dose de propaganda falsa - me garantiram que era quase possível sentir o eco da pista vazia embalada por sons monótonos e manjados que espantavam até as moscas, mas que animava um povo bem sem graça cuja deformação corporal revela seu estilo de vida burocrático. Na porta, como num ato de caridade dos organizadores, um hostess travestido que ainda acredita chocar aqueles que nunca tomaram conhecimento da montação requintada e original do povo que frequentava o saudoso club londrino Blitz, templo máximo da era new romantic...Para que tanto esforço em vão? Foi pensando neste constrangimento que decidi fazer uma coletânea que agora divido com vocês...Com tanta gente afirmando que é veterano na noite de São Paulo, é notável que esta pretensão é resultado do oportunismo e amadorismo em cima da falta de referência de grande parte do público. Ainda sou daqueles que acham o som é parte fundamental de um ambiente como estes ou seja lá qual for, pois faz parte de todo aparato sensível, coisa que há anos se perdeu vista (ou dos ouvidos) nos clubs que servem apenas de fundo para aqueles que adoram endossar seu autismo como se tivessem lido com toda atenção todo o script daquilo que Bauman define como "tempos líquidos...” Não estou dizendo que uma casa noturna deve ser necessariamente algo conceitual, mas poderia ser algo mais interessante.
Bem, para uma boa seleção de músicas não é preciso de muita coisa além de sensibilidade e conhecimento, e isso ajudaria a selecionar a frequencia de um espaço que tem a pretensão de ser chic. Ah quero dizer ter bom senso e humildade ao apertar o play (que deus salvem os verdadeiros DJ's da forca, não é Mr. Morrissey?) ajudaria pelo menos reeducar parte das pessoas que transformaram a cultura da noite em algo tão vulgar...
Embora eu tenha dado o subtítulo 'obscure synth-pop dancefloor', esta compilação não contém nada tão raro (raro sim de se tocar por ai). Trate-se na verdade de uma seleção muito acessível, uma vez que Sandra, Desireless, por exemplo, fizeram a suas historinhas nas FM's do mundo a fora numa época em que o synth pop, o new beat (com a sua cara de pós-EBM) e a house music conviviam harmoniosamente ou até se hibridizavam se causar grandes espantos. Propositalmente a "Bastard Disco" não se limita só a década de 1980 - a faixa do Faith Assembly fora gravada em 1993 para o álbum "Shades Of Blue", o que não chega a ser uma blasfêmia já que sua sonoridade depechemodeana agrada bastante até mesmo os mais ortodoxos. São apenas 13 músicas divididas em duas pastas, porém o volume dois daqui uns dias eu já disponibilizo...Fica também dica para quem comandará as picapes do novo Madame Satã.

1. Desireless - John (4:14)
2. Anything Box - World Without Love (4:15)
3. Industry - Sate of the Nation (3:30)
4. Peter Schilling - The Different Story (Razormaid (7:42)
5. Sandra - In the Heat of the Night (5:18)
6. Naked Eyes - Fortune And Fame (3:17)
7. Peter Godwin - Spoken Images (3:43)
8. Cetu Javu - Situations [7'' Version] (3:32)
9. Faith Assembly - Pool Of Tears (6:10)
10. A.K.A. - Cruel Lovin' (Boy-Boy Mix) (6:04)
11. Pete Wylie - Sinful (Tribal Mix) (8:05)
12. Secession - Touch (Part 3) (6:43)
13. Xymox - Imagination (Dance Mix) (6:29)

*parte 1*
*parte 2*

sábado, 5 de novembro de 2011

Christian Death - Live at West Side Club, Lyon (France) - May 17, 1984

Rozz, sem dúvida, merece mais atenção por aqui, já que o número de notas sobre Valor Kand são maiores. Hoje o artista completaria seus inimagináveis 48 anos. Além de uma homenagem, este post é também um presente aos seus seguidores que sempre estão a caça de relíquias. Trata-se de um achado: uma gravação límpida de um show do Christian Death realizado em 17 de maio de 1984 durante a excursão francesa para divulgação do álbum Catastrophe Ballet e que foi transmita por uma rádio local de Lyon (Radio-Bellevue FM). Eis o porquê de sua boa qualidade sonora que supera (em termos de capitação) outros bootlegs que ganharam posteriormente edições "oficiais" em diversos formatos, por vários selos. Vocês perceberão uma pequena queda de qualidade nas duas últimas faixas, já que consegui achá-las separadamente (estavam sem remasterização, com aquele típico zunido da fita K7) – porém tentei dar uma equalizada para que o volume e os agudos ficassem num nível semelhante do restante. De qualquer maneira isso passa quase despercebido quando se entra no clima desta apresentação empolgante (o que mostra que a banda, em sua segunda encarnação, num dado momento estava bem entrosada) de deixar os fãs mais devotos de alma lavada. Bom download.

CHRISTIAN DEATH – Live at West Side Club, Lyon (France) - May 17, 1984
Setlist:
01. Awake at the Wall
02. Sleepwalk
03. The Drowning
04. Theatre of Pain
05. Cavity - First Communion
06. The Blue Hour
07. The Fleeing Somnambulist
08. Androgynous Noise Hand Permeates
09. Electra Descending
10. As Evening Falls
11. Face
12. Cervix Couch
13. This Glass House
14. Romeo’s Distress

Line up:
Rozz Williams (vocal)
Valor Kand (guitar/backing vocals)
Gitane Demone (keyboard/backing vocals)
Constance Smith (bass)
David Glass (drum)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Death Cult - Ghost Dancers (live bootleg)

Há algum tempo atrás (entre 1990 e 1993) a Galeria do Rock abrigava uma loja chamada Rock N’ Roll, cujo acervo era, na sua maior parte, dedicado a vinis bootegs, ou seja, aqueles bolachões de edições limitadíssimas não autorizadas (muitas vezes proveniente da Itália, Rússia e Japão) que continham materiais raros e nunca lançados pelas bandas. Aliás, a Galeria do Rock atual quase não há mais lojas que investem no velho e bom vinil. Aos órfãos restou praticamente a Baratos Afins (um dos últimos redutos “vinilisticos” por lá) e a Galeria Nova Barão, que fica ali pertinho...Bem, no começo dos anos de 1990 a pirataria não tinha esta conotação vulgar de hoje – não era essa coisa prática (prática no sentido de ser pouco seletiva, sem muito encanto) e pobre reproduzida em mídia ou em mp3; era feita com acabamento caprichado (arte gráfica elaborada, prensagem profissional) e carregava, por isto, uma áurea de elegância e excentricidade, o que satisfazia os fãs que não se contentavam com o material oficial soltado pelas gravadoras. O cara que acompanha a banda e quer incrementar sua coleção, sabe as “cerejas do bolo” não estão nos registros convencionais. Contudo, com o advento da internet, perdeu-se a preocupação e o interesse pelo suporte físico destes arquivos.

Na Rock N’ Roll também era possível encontrar as réplicas dos bootlegs originais, com suas capas mal xerocadas (no “melhor” ou “pior” estilo do it yourself) - muitas vezes estes exemplares eram apenas envolvidos numa espécie de envelope branco contendo apenas o set escrito com máquina de escrever. A apresentação poderia ser tosca, mas seu conteúdo tinha valor incalculável e acredito que boa parte daquilo dificilmente chegará algum dia a ser ripado em mp3 (e postado em algum blog) ou mesmo reeditado por algum selo fundo de quintal. Quem era aficcionado em Sisters of Mercy (uma das bandas mais pirateadas de todos os tempos) ficava em choque com quantidade de LP’s com gravações de shows, sobra de estúdios, transmissões de rádio e demos com as mais variadas qualidades sonoras – tinham desde coisas podres captadas por um gravador de mão pela audiência até coisas “cristalinas” registradas em DAT pela galera da mesa de som. Aqueles que queriam arrebatar estes discos tinham que desembolsar uma bela grana, porém o dono disponibilizava um serviço de gravações de fita K7 para quem não tinha como bancar e quisesse saborear um pouco daquele universo clandestino. As reproduções destas fitas nem sempre agradavam muito, pois o som na maioria das vezes ficava extremamente abafado, no entanto isso acabava sendo um mero detalhe para os que queriam ter em mãos aquelas exclusividades. Também era possível encomendar cópias em vídeos (VHS) de shows raros, filmados da platéia, por alguém que não tinha a mínima habilidade com a câmera. A prateleira do The Cult era um sonho, no entanto tinha uma peça ali que me chamava muito a atenção – o vinil Ghost Dancers (com a capa xerocada); um show gravado em 13 de setembro 1983 no teatro Playhouse (Whitley Bay), quando a banda tocava como Death Cult. Como comprar aquele disco não estava a meu alcance, acabei encomendando uma cópia em fita, que quase arrebentou de tanto tocar. Eu cheguei a pensar em ripar a fitinha para cd-r, por uma questão de preservação mesmo, já que depois com a notícia do óbito da Rock N’ Rock, eram remotas as chances de rever aquele disco novamente e, assim, solicitar uma nova cópia. Embora nostálgica, a Era analógica foi pouco prática e por isso tinha lá os seus inconvenientes e isso fica bem claro nestes relatos de um tempo em que ipode quebraria o maior galho...

Passado alguns anos virei um adicto de vinis e em uma daquelas garimpadas que eu fazia pela madrugada adentro encontrei um colecionador inglês que tinha o bendito a venda em seu site pessoal. E não era um simples colecionador e sim um cara que tinha trabalhado como roadie nos primórdios do Cult. Logicamente não hesitei em comprar, pois sabia que a chance era única. Depois de uns dias esperando ansiosamente, lá estava eu com o cobiçado Ghost Dancers em mãos. Seu estado de conservação me chamou muito atenção; sua capa original estava praticamente zerada (não era como aquela cópia da cópia como exposta na loja). Algo incrível já que se tratava de uma relíquia de tiragem limitada de 500 cópias em vinil azul, editada em 1985 por um selo japonês chamado Garageland. Valeu cada libra investida e a minha persistência, afinal só quem é colecionador sabe a emoção de manipular um destes “brinquedos”.

Seu track list (logo a baixo) é bem típico daquela fase, mas com algumas coisas singulares - a música “Ressurection Song” foi creditada aqui apenas como “Resurrection”. Esta faixa nunca ganhou uma versão de estúdio, o que agrega um valor discográfico a este vinil. Diferente que muitos devem pensar, “Ressurection” não é nem de longe um esboço da dançante “Resurrection Joe” (1984). “Wild Thing” (cover do The Troogs costumeiramente fechava as apresentações daquela época) tem aqui umas de suas versões pesadas e tribais graças as baquetadas impiedosas e inconfundíveis de Ray Mondo que logo após este show se despedia do Death Cult. A qualidade sonora deste boot não é uma das melhores, mas por estas histórias e particularidades o torna bastante especial para mim e, acredito também, para os fãs old school a quem eu dedico este post.
Espero que gostem e bom download!

Death Cult line up:
Ian Astbury - vocal
Billy Duffy - guitar
Jamie Stewart - bass
Ray Mondo – drums


PEQUENA BIOGRAFIA

Em maio de 1983, um mês após o fim do Southern Death Cult, o vocalista Ian Astbury se junta ao guitarrista Billy Duffy (William Howard Duffy, nascido em Manchester, recém saído do Theatre of Hate) para formar o Death Cult. A idéia inicial de Ian era dar continuidade a sua banda original, e como o guitarrista buscava mais liberdade musical e para compor, essa junção resultou naqueles históricos "casamentos musicais" que deram mais do que certo (a exemplo do que ocorreu com Robert Plant/Jimmy Page, Mick Jagger/Keith Richards, John Lennon/Paul McCartney, Morrissey/Johnny Marr e tantos outros). A banda foi considerada logo de início como um "super grupo" pós-punk já que se tratava na realidade da junção de três bandas que tinham feito alguma fama dentro daquela cena. Para completar a “cozinha”, foram chamados dois ex-integrantes da banda punk-gótica Ritual; o baterista Raymond Taylor Smith (natural de Serra Leoa, apelidado de Ray Mondo) e o guitarrista Jaime Stewart (nascido em Harrow, norte da Inglaterra) convocado para o baixo.

O entrosamento foi certeiro e após alguns ensaios e gravações demos, a banda lança em julho daquele ano um EP com quatro músicas pelo selo Situation Two. O disco teve boa repercussão e as comparações com o Southern Death Cult foram inevitáveis, mas era possível notar que além da cadencia tribal e das características fortes do "positive punk", as canções traziam uma veia mais rock n roll sixties graças as guitarras sujas e psicodélicas de Billy Duffy que começavam a se destacar. Também não se pode ignorar o amadurecimento da voz de Ian que ao se dar conta das limitações dos músicos do SDC, viu a necessidade de buscar músicos criassem e dessem maior suporte para canções mais elaboradas que viriam a partir daí.
Nas entrevistas o Death Cult também fazia questão de deixar clara suas influências que vinham de artistas que bebiam do blues como Jimi Hendrix, Doors, Led Zeppelin - e que a partir disso queriam dar uma cara mais orgânica ao cenário alternativo inglês que na ocasião parecia estar tão fake, devido a extrema valorização do visual e pelo uso massivo de sintetizadores. O baixista Jamie Stewart lembra que outra fixação daquela época era com tudo que fosse relacionado a guerra do Vietnã: "coisas como o filme Apocalypse Now e 'The End' dos Doors fazia a cabeça de todas as bandas de Brixton na época e Ian tentava falar sobre essa situação absurda na qual jovens eram jogados em uma guerra completamente sem sentido." Esta ai porque da temática fotográfica do EP de estréia.


A banda logo inicia uma extensa turnê em algumas cidades européias. O público de Oslo (Noruega - 25/07/1983) foi privilegiado em assistir a sua primeira apresentação. Já de volta a Inglaterra, eles participam de um famoso evento do pós-punk inglês Futurama Festival.

Em setembro o baterista Ray se despedia da banda para tocar no Sex Gang Children (meses depois, por estar ilegalmente na Inglaterra, ele fora deportado para Serra Leoa), ocupando o lugar deixado pelo saudoso Nigel Preston que logo foi convidado para tocar no Death Cult. Preston já era um velho conhecido de Billy Duffy, uma vez que havia tocado com ele no Theatre of Hate.

Com o novo baterista, a banda lança em outubro de 1983 o single "God Zoo", música que trás um som mais lapidado e dançante, o que demonstrava que eles estavam dispostos a deixar de vez as conotações góticas para traz e todos os rótulos incessantes que sofria da imprensa britânica. Depois desta mudança sonora, Ian e Billy decidem tirar do nome da banda a sua parte mais negativa - a palavra "Death".

No dia 13 de janeiro de 1984, a banda fazia sua primeira aparição na TV como The Cult no programa The Tube. “Estamos mais para a vida do que para a morte”, disse Astbury antes dos primeiros acordes. Nessa altura eles começando a se popularizar nos quatro cantos da Inglaterra, devido ao sucesso do single "Spiritwalker" que apontava no primeiro lugar da parada independente. Este compacto procede a uma tour européia que acontecera meses antes do lançamento de seu primeiro álbum, Dreamtime.


Ghost Dancers - Recorded live Sept. 13, 1983 at Playhouse, Whitley Bay - LP Numbered, Blue

Track List
A1 Christians
A2 To Young
A3 The Waste Of Love
A4 Ghost Dance
A5 Butterflies
A6 Brothers Grimm
B1 Flower In The Desert
B2 Gods Zoo
B3 Resurrection
B4 Horse Nation
B5 Moya
B6 Wild Thing

*download here*