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domingo, 6 de maio de 2012

Cadavres Exquis - vol. 2


Depois de três anos decidi disponibilizar para download o segundo volume da coletânea tema deste blog, cuja a inspiração também foi impulsionada por este outono frio que acaricia a cidade de São Paulo, e nada como ter uma trilha sonora a altura para comemorar. Entre os nomes obscuros deste set list, acredito que The Chameleons seja um dos mais conhecidos; a banda marca novamente presença com a apoteótica "One Flesh". Melhor que escrever uma longa resenha é poder escutar este "humilde" registro, o que certamente deixará os verdadeiros amantes e adeptos do pós-punk/cold wave bem satisfeitos.

1. Kino Glaz - Batte La Luna
2. Past Seven Days - Rain Dance
3. Flowers For Agatha - The Common Enemy
4. Twice A Man - Girl
5. Music for Pleasure - Fuel To The Fire
6. Telepathic - We Are Telepathique
7. Wire Train - Like
8. Lars Falk - See My Friends Fall
9. Send No Flowers - Wall Of Convention
10. Di Leva - The Single Man
11. The Chameleons UK - One Flesh
12. Downers - Two Bicycles In Summertime
13. Teenage Brain Surgeon - Years Went By
14. Lost Loved Ones - Echoes Of The Past
15. Neutral Project - Ideal?
16. Trespass - Colours Of Love
17. Mark Lane - Poison For Me

*download here*

quinta-feira, 15 de março de 2012

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

free your mind

E não podemos admitir que se impeça o livre desenvolvimento de um delírio, tão legítimo e lógico como qualquer outra série de idéias e atos humanos.
(Antonin Artaud)

sábado, 18 de junho de 2011

Crepúsculo do Inverno

Zeus escuros de metal
Nas vermelhas revoadas
passam gralhas esfaimadas
sobre um parque fantasmal

Rompe um raio glacial
ante pragas infernais
giram gralhas vesperais;
sete pousam no total.

Na carniça desigual,
bicos ceifam em segredo.
Casa mudas metem medo;
brilha a sala teatral.

Ponte, igrejas, hospital
hórridos na luz exangue.
Linhos grávidos de sangue
incham velas no canal.

(Georg Trakl)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Quem semeia miséria, colhe fúria.”


fuckers....

Defeito principal dos homens ativos - Aos homens ativos falta habitualmente a atividade superior, quero dizer, a individual. Eles são ativos como funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como representantes de uma espécie, mas não como seres individuais e únicos; neste aspecto são indolentes. A infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante: ela é irracional. Os homens ativos rolam tal como pedra, conforme a estupidez da mecânica. Todos os escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que ele seja; estadista, comerciante, funcionário ou erudito.
(F.N.)

domingo, 20 de março de 2011

carta ao papa


O confessionário não é você, oh Papa, somos nós; entenda-nos e que os católicos nos entendam.
Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das almas, a livre trituração dos corpos.
Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas afoitas das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.
Teu Deus católico e cristão que, como todos os demais deuses, concebeu todo o mal:
1º. Você o enfiou no bolso.
2º. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecado, confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra contra você, Papa, cachorro.
Aqui o espírito se confessa para o espírito.
De ponta a ponta do teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio sobre as verdades imediatas da alma, sobre estas chamas que chegam a consumir o espírito. Não existem Deus, Bíblia. Evangelho; não existem palavras que possam deter o espírito.
Nós não estamos no mundo, oh Papa confinado no mundo; nem a terra nem Deus falam de você.
O mundo é o abismo da alma. Papa caquético. Papa alheio à alma, deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas, não precisamos do teu facão de claridades.

(Antonin Artaud)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Satanic Versus

Expresse-se
Expresse-se
Expresse-se
Expresse-se
Expresse seu sofrimento, sua fé, opinião
Expresse sua auto-admiração
A dignidade da vida e da morte
Com cultura e civilização
Com hora para a simpatia e hora para a ação
Expresse vingança e condenação
Seu senso de liberdade, justiça, paz,
Expresse suas políticas externas
Os direitos dos homens, o empreendimento
O livre arbítrio e integridade
Seu amor-próprio e auto-desejo
Sua fé em Deus e no fogo religioso
O fim da razão e o fim da ciência
O fim da família, o fim da violência
Versos satânicos de sua superstição
A terra da abundância e do armamento
O fim da história, o fim dos tempos
O fim da música e o fim da rima
Expresse o controle imaculado
Expresse o inexpressível
Expresse-se como a nação principal
O primeiro, o segundo, o terceiro domínio do mundo
Estampe estrelas e listras para sempre
Conspiração do terror e da salvação

(o sempre irônico e anti-imperialista Laibach)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Lobo da Estepe - Hermann Hesse


“...como admirava, então, aquelas enevoadas tardes de outono ou de inverno! Como respirava, ansioso e embevecido, a sensação de isolamento e melancolia, quando, noite adentro, enrolado em meu capote, atravessava as chuvas e tempestades de uma natureza hostil e revoltada, e caminhava errante, pois naquele tempo já era só, mas ia repleto de profunda satisfação e de versos, que mais tarde escrevia, em meu quarto, à luz de uma vela, sentado à beira da cama.”

“Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! (...) E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.”

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sobre a ruína da vida social e decadência cotidiana

"Tenho lutado para experimentar e existir, para lutar e consentir nas formas (todas as formas) com as quais a delirante ilusão de estar no mundo impregnou a realidade.
Não desejo continuar enganado por ilusões. Morto para o mundo; para aquilo que para todos os demais constitui o mundo; finalmente caído, tombado, erguido dentro do vazio que eu havia rejeitado. Tenho um corpo que experimenta o mundo e vomita realidade.
Aquele que vos fala é alguém que verdadeiramente desesperou e conheceu a felicidade de estar no mundo somente agora quando deixou o mundo, quando está absolutamente separado dele.
Estamos mortos, os demais não estão separados. Continuam a circular em torno de seus próprios cadáveres.
Não estou morto, mas estou separado".


(Antonin Artaud)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

demo-cracia

todo idiota é cúmplice do filho da puta; o idiota é o otário que não tem cura

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

desaforismo


Eu ofereço esse desaforismo a todos os SAQUEADORES da igualdade. Todos os que desejam calar-nos no silêncio da sua autoridade, legítima ou não, in memorian da finada liberdade. Aproveitadores vulgares que vomitam em nome da lei e da ordem, que querem separar o poder do povo no reavivamento da FUNDACIONAL violência (simbólica-estrutual-física). Endereço aos políticos babacas, aos empresários de sucesso, aos avarentos de merda, aos cientistas obedientes e suas instituições caretas, a todos os falastrões com suas falsas armas, aos disputadores de plantão, aos que estão por cima da lei (e os que pensam que estão), etc. O novo não é o fim do velho, assim como a ordem não é o fim da desordem. Seus maiores inimigos, como eu, vivem por uma finalidade e não morrem por falsos princípios.

“O avarento é aquele para quem nada é caro quando se trata de si e tudo é caro quando se trata dos demais!” Adorno, Mínima Moralia, p. 35

por
Gheirart

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

deathwish


A luta de quem eu poderia ser
Ou daquilo que poderia ter sido
Às vezes sinto um vento gelado fitando o meu peito
Ele me convida a canto escuro de uma sala
Por que eles lutam freneticamente?
Será que sou um anjo curioso que saiu aqui por acaso?
Quantas lágrimas me vieram e
Recorri à escuridão esperando o afago do útero
Muitas vezes desprezei o olhar triste da mãe
Com medo de ser meu verdadeiro espelho
“Oh filho desculpe pelo mal presente”
Aglutinei no amor as minhas verdadeiras forças.
As palavras são os sumo do fruto proibido
Um arsenal sonorizado que tenta vencer o que mais tememos
A insistência que nos deixam vivo e mais pura prova que o desejo de morte é sedutor, como o cordão umbilical em forma de forca.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SSSP


Em São Paulo, você não sabe se desvia de buracos ou de pessoas.
Nestas calçadas relicham vozes, cambaleios...Cantos que coagulam vestígios...
Papeis e bugigangas estendidas como tapetes, são meras provocações (eles querem de te roubar ou te vender?).
Comunicações móveis em coletivos te expõem involuntariamente em histórias paralelas que não te interessam. Terá um dia uma empresa que venda privacidade? Somos uma platéia enfileirada, seja onde for...Uma tosse feia que ecoa em outros pulmões, uma música de mau gosto denuncia os carentes deslumbrados pela cidade...
Lapso concreto das marchas solitárias...arrastadas das cores caqui e dos obesos conformados.
Olhos do céu se fechando...Uma lua que ainda grita, o diabo caolho...Escuridão dos sentidos...Um corpo empacotado, uma história pro dia seguinte...
Um “deus te abençoe” é um desejo de azar das infelizes e o pretexto ridículo dos que acham que prosperam.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

a última vida


Eu vi nuvens baixas onde o câncer da pobreza se enraizava nos vales
Montanhas antes cobertas de relvas frescas, agora dão lugar ao tapete da miséria.
Desejei que houvesse o espírito, mas lhes de deram objetos.
A apatia do consumo disfaçada de um amarga esperança...
Mosaicos vulgares que dilaceram a paisagem
Agradeço meus olhos, minhas caminhadas quando mais jovem.
Atento aos detalhes, ao ar fresco daqueles invernos que mais parecem quadros em minha memória.
A vida é uma morte efêmera, como um gozo em troca de moeda.
Onde entulho e sentimentos formam uma única massa de excremento.
Desejei que houvesse espírito...

terça-feira, 23 de março de 2010

lamento de fim de tarde


"Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.
Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas.
Tentei inventar novas flores, novos astros, novas carnes, novos idiomas."


Text: Arthur Rimbaud
Collage: me