quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A ressaca gótica e pouco inspirada das coleções de inverno 2012 do SPFW

Criadores na SPFW não trazem novas imagens para moda

Vivian Whiteman
Colaboração para a Folha

Na edição mais fraca da São Paulo Fashion Week nos últimos anos, as novas (ou, ao menos, vibrantes) imagens de moda foram raridade.
E quando os criadores deixam de oferecer novas histórias para inspirar a roupa nossa de cada dia, o que sobra é uma lista de tendências parecida com a de compras feita para o supermercado.
No seu armário existem peças transparentes, couro, dourados, veludo e tecidos metalizados? Então talvez você nem precise encher o carrinho para entrar na onda do inverno 2012.
Talvez falte uma peça de couro em vermelho. O tom mais "sangue vivo" dessa cor apareceu no desfile da Ellus, especialmente no couro.
De repente, você pode ter vontade de voltar a usar o "veludo molhado", aquele bem molenga e com brilho, sucesso nos anos 90. O tecido foi o campeão de presença nos desfiles.
Gosta de vampiros, bruxas, e monstros das trevas? Pois essa foi uma das poucas imagens de inspiração propostas pelos estilistas da SPFW. Sabe a Natasha da novela "Vamp"? O Edward de "Crepúsculo"? Então. Os figurinos do filme "Drácula de Bram Stoker" também vão ajudar você a entender essa estética.
Analistas políticos e pesquisadores de comportamento dizem que o mundo está num impasse.
Entre atos violentos, protestos vazios e utopias de butique, as pessoas parecem mesmo presas num limbo infernal sugador de energia vital. E isso se refletiu nas coleções dos criadores mais dispostos a se conectar com as questões de seu tempo.
A paranoia do "vender mais a qualquer custo" talvez tenha a ver com a fase sem vigor da moda (não só no Brasil). Assim como na vida fora das passarelas, o "ganhar mais a qualquer custo" tem levado muitas almas ao caminho triste da depressão e do esgotamento.
Especialmente quando a defesa do dinheiro acima de todas as coisas tem de ser disfarçada sob ideais furados e justificativas capengas.
Vários grandes criadores, do glamouroso Alber Elbaz, da Lanvin, ao rebelde Alexander McQueen, antes do suicídio, já falaram sobre como as pressões extremas do mercado afetaram negativamente seus trabalhos.


FRIO N'ALMA

Até a exposição armada pelo evento no térreo da Bienal era de dar calafrios. Em andaimes, roupas de estilistas da semana de moda dividiam espaço com telões exibindo filmes nos quais eles falavam de seus processos criativos.

Embaixo deles, pilhas de carvão. No ar, uma névoa artificial e paredes pretas. Entre os andaimes no local, fotos soturnas e, entre elas, imagens de pessoas pintadas de demônios, gente boiando em rios, figurações da morte. De arrepiar.

Na passarela, as representações dessa era sinistra apareceram em poucas coleções.

Da religião destituída de seus dogmas e transformada em cultura de rua (Alexandre Herchcovitch masculino e Reinaldo Lourenço) ao tormento depressivo (João Pimenta), a Folha elenca as cinco imagens de moda mais fortes da temporada.

São cinco personagens (veja no quadro ao lado), cinco tipos que ajudam o público a entender a inspiração dos estilistas e pensar sobre elas. E o resto? O resto são roupas, bonitas ou não, que vão estar (muitas delas, aliás, já estão) nas vitrines.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uma sopa de hipocrisia...


Só pra lembrar que, assim como o Megaupload, outros sites de compartilhamento e download estão deletando os arquivos suspeitos e ilegais com medo de sofrerem a mesma represaria....Eu tenho uns posts de download com arquivos hospedados no 4shared (que pertence ao Google). Então, corram enquanto há tempo...Há ainda muito alarde, sendo que o projeto ainda nem foi votado, porém tem gente já de olho no bolso caso sejam condenados. Esta história ainda vai longe. Acredito que logo mais uma tecnologia mais atraente vai surgir pra burlar isso, afinal os desafios sempre foram os combustíveis para os atos subversivos dos hackers.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ouvidos chamuscados para 2012

O ano de 2011 se foi e alguns relançamentos passaram quase batidos. Porém, é bom lembrar que para este ano teremos mais "novidades". Antes de mais nada (há muito ia comentar isso por aqui), como muitos, fiquei bastante decepcionado com a volta do Danse Society. Na verdade era de se esperar um desastre, como já vem acontecendo há algum tempo com as bandas da fase áurea do "goth punk", que de forma mercenária e vulgar tentam em agradar os neófitos deathrockers sem referência (isso me lembra aqueles circos do interior que anunciam uma atração falsa para alegria de gente carente de cultura)...Se eu fosse destas bandas, ficaria bem quietinho no meu canto e honraria o meu passado...No caso do Danse Society a coisa extrapolou a breguice - o baixista Paul Nash (o único remanescente da formação original) foi o mentor desta palhaçada toda. Ele recrutou uma perigótica para os vocais, bebeu da fonte "metal gótica" e manchou a discografia da banda com Change Of Skin, álbum lançado no semestre passado e que deve de qualquer modo ser evitado...Uma prova disso está no clipe promocional do single "Revelation", que pode ser descrito como "no mínimo constrangedor". Eu cheguei a postar diversas frases indignadas no Youtube até ser bloqueado (Paul Nash perdeu a noção e virou um convicto ignorante)...Sei que os outros membros que não participam desta desastrosa investida devem pensar o mesmo que eu. No entanto, para compensar a carga de críticas negativas (talvez para acalmar os ânimos mais exaltados dos fãs mais antigos), Nash decidiu desengavetar as demos da banda gravadas entre 1983 e 1984, durante a gestação do álbum Heaven in Waiting na coletânea Demos Vol. 1, colocada a venda em formato em mp3 no site oficial da banda. Alguns meses depois o selo americano Dark Entries resolveu licenciá-la e fez uma bela edição em vinil, que trás um encarte repleto de fotos, letras e notas do jornalista Mick Mercer. É um disco fundamental para colecionadores que apreciam raridades deste tipo. Além deste item do Danse Society, eu recomendo que dêem uma checada no restante do catálogo da Dark Entries repleto de muita coisa boa e que nunca imaginei que um dia fosse ver no formato "bolachão", como o cultuado duo belga "minimal wave" Vita Noctis que ganhou uma coletânea dupla com todas as músicas lançadas (em K7 e num único 12") durante a sua efêmera existência.


Ainda na linha "muito gótico para ser punk e muito punk para ser gótico" a Jungle Records finalmente cumpriu a promessa de relançar material do Bone Orchard. Lembro que na pequena biografia que escrevi no Junkeria Nefasta eu pedia que a Jungle ou a Cherry Red Records nos presenteassem com alguma reedição em cd. Eis que para aqueles que sobreviveram, as preces foram atendidas. Stuffed To The Gills & Other Fishy Tales a versão turbinada do EP Stuffed To The Gills que foi o primeiro lançamento da banda concebido em 1983 e que continha material gravado numa Peel Session (era de praxe muitas bandas desta geração reaproveitar o material destas sessões em sua discografia oficial). Além das músicas deste disco, esta coletânea contém material extraído de outros singles e do seu álbum de estréia, Jack (1984). O melhor de tudo que as canções foram remasterizadas e como bônus o case vem com um dvd contendo clipes promocionais (a maioria inédito, já que dois deles já tinham feito parte dos dois volumes do dvd In Goth Daze, da Cherry) e uma pequena apresentação ao vivo no Amsterdam Paradiso. Para aqueles que não conhecem, o Bone Orchard foi uma banda inglesa de gothabilly formada em 1983, por Chrissy McGee (uma versão feminina dos vocais de Nick Cave), Mark Horse (guitarra), Troy Tyro (guitarra), Paul Henrickson (baixo) e Mike Finch (bateria, logo substituído por Ben Tisball). Sua carreira foi bem curta, porém bem intensa - durou um pouco mais de dois anos, chegando a lançar quatro singles, dois álbuns e uma coletânea não oficial e homônima na Espanha. As ilustrações das capas dos seus discos, sem exagero, são verdadeiros “quadros” de neo-expressionismo, que já davam uma idéia do contexto poético e insano de sua sonoridade. Além da parte instrumental e das letras, a banda se preocupava bastante com o lado visual/artístico, chegando a ter alguns dos seus clipes (cujo o imaginário surrealista carrega fortes influênias de David Lynch) dirigidos por gente de renome no meio underground de Brighton, cidade onde a banda emergiu.


O The Sound foi uma banda que só teve a discografia relembrada e reeditada digitalmente em 2001 pelo selo inglês Renascent. Foram 11 cd's no total, contando com as captações ao vivo da série The Dutch Radio Recordings. Depois de expirar a licença, a Warner (a dona do selo Korova) reclamou os direitos dos dois primeiros álbuns e a Renascent foi obrigada a tirá-los de seu catalogo. Boatos sobre uma nova reedição pela major surgiram há uns dois anos atrás...Até que o seu novo selo independente, intitulado 1972, anunciou para o dia 31 deste mês a recolocação de Jeopardy e From The Lions Mout nas prateleiras. Ainda não se sabe se estas novas versões também sairão em vinil como aconteceu com Echo and the Bunnymen que teve os discos Porcupine e Ocean Rain discos relançados pela 1972. De qualquer maneira, se forem apenas em cd se espera um acabamento do seu encarte seja bem melhor que aquele digipack furreca que a Renascent apresentou...Banda na altura do Sound, merece coisa melhor; no estilo deluxe, remasterizado e com vários bônus tracks. Que assim seja...Ah, já ia me esquecendo - os primórdios do The Sound (quando Adrian Borland e cia se denominavam The Outsiders) poderão ser conferidos em fevereiro em dois cd's imperdíveis pelas Cherry Records.

Se eu fosse enumerar o tanto de discos bons dando as caras novamente gastaria horas escrevendo. O vinil lá fora voltou contudo e, ironicamente, ressurge como uma centelha de esperança na falida industria fonográfica. Aqui no Brasil o mercado, principalmente de rock, também está pra lá de murcho (seria a volta do vinil a salvação?). As grandes gravadoras abriram mão de relançar bandas de rock independente internacional, mesmo aquelas que andam fazendo a cabeça dos mais antenados. Semana passado eu li a notícia que um selo carioca está fazendo um trabalho legal e colocando a cara pra bater; o Lab 344. Discos consagrados do The White Stripes estrearam uma séria chamada Lab.Rocks que pretende lançar até março, cd's e dvds de bandas como Pixies e The Cult. Quais os títulos? Ainda não sei, mas já estou ansioso, esperando que haja algum atrativo que valha a aquisição. O The Cult anunciou um novo álbum para este ano e bem provável que se trate mesmo de material inédito.

Notas rápidas: o selo franco-americano pelo visto Season Of Mist congelou os relançamentos do Christian Death (Valor). Depois de Ashes e Catastrophe Ballet , acredito que Valor esteja dando problema nas negociações. Espero que eu esteja errado, porque dentro deste "pacote" teríamos até um dvd com aqueles clipes gravados nos anos de 1980 que são verdadeiros shows de horror (leia-se cafonas). A Malaise Music desde setembro também não solta nada do série The Lost Recordings do Premature Ejaculation; o último foi Dead Whorse Riddle (MAL9). Será a crise? Depois de assinar com a Prophecy e lançar um single e um álbum inédito, o Sol Invictus vem relançando ininterruptamente sua discografia completa em caprichadas edições em cd remasterizados, capas em digipack, bonus track, aquele capricho todo pra fã nenhum botar defeito.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Onde Steve

Você não pode ficar preso no que você pensa ser seu destino.
A jornada é tão importante quanto o destino.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sempre em mim

Sempre em mim esse fantasma
Essas sombras nos meus dias
Essa nuvem impenetrável
De silêncios e silêncios
Como se faltassem meios
De romper com esse mistério
E mergulhar no teu destino
Aprender os teus abismos
Enganar os teus enganos
As profundezas do teu medo
E fazer-te sempre minha
Sempre em mim
Sempre

(Letra: Paulinho Mendonça / Música: Gerson Conrad, do disco Gérson Conrad & Zezé Motta - de 1975)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bastard Disco

Ouvi dizer que aquela festa com luz de néon rola "anos 80 chic", mas há quem tenha afirmado que o movimento por lá era como de uma festa "trash" (menos infantilizada, é claro) onde se sentia que a presença dos "amigos" se deu por meio de muita insistência ou por uma dose de propaganda falsa - me garantiram que era quase possível sentir o eco da pista vazia embalada por sons monótonos e manjados que espantavam até as moscas, mas que animava um povo bem sem graça cuja deformação corporal revela seu estilo de vida burocrático. Na porta, como num ato de caridade dos organizadores, um hostess travestido que ainda acredita chocar aqueles que nunca tomaram conhecimento da montação requintada e original do povo que frequentava o saudoso club londrino Blitz, templo máximo da era new romantic...Para que tanto esforço em vão? Foi pensando neste constrangimento que decidi fazer uma coletânea que agora divido com vocês...Com tanta gente afirmando que é veterano na noite de São Paulo, é notável que esta pretensão é resultado do oportunismo e amadorismo em cima da falta de referência de grande parte do público. Ainda sou daqueles que acham o som é parte fundamental de um ambiente como estes ou seja lá qual for, pois faz parte de todo aparato sensível, coisa que há anos se perdeu vista (ou dos ouvidos) nos clubs que servem apenas de fundo para aqueles que adoram endossar seu autismo como se tivessem lido com toda atenção todo o script daquilo que Bauman define como "tempos líquidos...” Não estou dizendo que uma casa noturna deve ser necessariamente algo conceitual, mas poderia ser algo mais interessante.
Bem, para uma boa seleção de músicas não é preciso de muita coisa além de sensibilidade e conhecimento, e isso ajudaria a selecionar a frequencia de um espaço que tem a pretensão de ser chic. Ah quero dizer ter bom senso e humildade ao apertar o play (que deus salvem os verdadeiros DJ's da forca, não é Mr. Morrissey?) ajudaria pelo menos reeducar parte das pessoas que transformaram a cultura da noite em algo tão vulgar...
Embora eu tenha dado o subtítulo 'obscure synth-pop dancefloor', esta compilação não contém nada tão raro (raro sim de se tocar por ai). Trate-se na verdade de uma seleção muito acessível, uma vez que Sandra, Desireless, por exemplo, fizeram a suas historinhas nas FM's do mundo a fora numa época em que o synth pop, o new beat (com a sua cara de pós-EBM) e a house music conviviam harmoniosamente ou até se hibridizavam se causar grandes espantos. Propositalmente a "Bastard Disco" não se limita só a década de 1980 - a faixa do Faith Assembly fora gravada em 1993 para o álbum "Shades Of Blue", o que não chega a ser uma blasfêmia já que sua sonoridade depechemodeana agrada bastante até mesmo os mais ortodoxos. São apenas 13 músicas divididas em duas pastas, porém o volume dois daqui uns dias eu já disponibilizo...Fica também dica para quem comandará as picapes do novo Madame Satã.

1. Desireless - John (4:14)
2. Anything Box - World Without Love (4:15)
3. Industry - Sate of the Nation (3:30)
4. Peter Schilling - The Different Story (Razormaid (7:42)
5. Sandra - In the Heat of the Night (5:18)
6. Naked Eyes - Fortune And Fame (3:17)
7. Peter Godwin - Spoken Images (3:43)
8. Cetu Javu - Situations [7'' Version] (3:32)
9. Faith Assembly - Pool Of Tears (6:10)
10. A.K.A. - Cruel Lovin' (Boy-Boy Mix) (6:04)
11. Pete Wylie - Sinful (Tribal Mix) (8:05)
12. Secession - Touch (Part 3) (6:43)
13. Xymox - Imagination (Dance Mix) (6:29)

*parte 1*
*parte 2*