quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sempre em mim

Sempre em mim esse fantasma
Essas sombras nos meus dias
Essa nuvem impenetrável
De silêncios e silêncios
Como se faltassem meios
De romper com esse mistério
E mergulhar no teu destino
Aprender os teus abismos
Enganar os teus enganos
As profundezas do teu medo
E fazer-te sempre minha
Sempre em mim
Sempre

(Letra: Paulinho Mendonça / Música: Gerson Conrad, do disco Gérson Conrad & Zezé Motta - de 1975)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bastard Disco

Ouvi dizer que aquela festa com luz de néon rola "anos 80 chic", mas há quem tenha afirmado que o movimento por lá era como de uma festa "trash" (menos infantilizada, é claro) onde se sentia que a presença dos "amigos" se deu por meio de muita insistência ou por uma dose de propaganda falsa - me garantiram que era quase possível sentir o eco da pista vazia embalada por sons monótonos e manjados que espantavam até as moscas, mas que animava um povo bem sem graça cuja deformação corporal revela seu estilo de vida burocrático. Na porta, como num ato de caridade dos organizadores, um hostess travestido que ainda acredita chocar aqueles que nunca tomaram conhecimento da montação requintada e original do povo que frequentava o saudoso club londrino Blitz, templo máximo da era new romantic...Para que tanto esforço em vão? Foi pensando neste constrangimento que decidi fazer uma coletânea que agora divido com vocês...Com tanta gente afirmando que é veterano na noite de São Paulo, é notável que esta pretensão é resultado do oportunismo e amadorismo em cima da falta de referência de grande parte do público. Ainda sou daqueles que acham o som é parte fundamental de um ambiente como estes ou seja lá qual for, pois faz parte de todo aparato sensível, coisa que há anos se perdeu vista (ou dos ouvidos) nos clubs que servem apenas de fundo para aqueles que adoram endossar seu autismo como se tivessem lido com toda atenção todo o script daquilo que Bauman define como "tempos líquidos...” Não estou dizendo que uma casa noturna deve ser necessariamente algo conceitual, mas poderia ser algo mais interessante.
Bem, para uma boa seleção de músicas não é preciso de muita coisa além de sensibilidade e conhecimento, e isso ajudaria a selecionar a frequencia de um espaço que tem a pretensão de ser chic. Ah quero dizer ter bom senso e humildade ao apertar o play (que deus salvem os verdadeiros DJ's da forca, não é Mr. Morrissey?) ajudaria pelo menos reeducar parte das pessoas que transformaram a cultura da noite em algo tão vulgar...
Embora eu tenha dado o subtítulo 'obscure synth-pop dancefloor', esta compilação não contém nada tão raro (raro sim de se tocar por ai). Trate-se na verdade de uma seleção muito acessível, uma vez que Sandra, Desireless, por exemplo, fizeram a suas historinhas nas FM's do mundo a fora numa época em que o synth pop, o new beat (com a sua cara de pós-EBM) e a house music conviviam harmoniosamente ou até se hibridizavam se causar grandes espantos. Propositalmente a "Bastard Disco" não se limita só a década de 1980 - a faixa do Faith Assembly fora gravada em 1993 para o álbum "Shades Of Blue", o que não chega a ser uma blasfêmia já que sua sonoridade depechemodeana agrada bastante até mesmo os mais ortodoxos. São apenas 13 músicas divididas em duas pastas, porém o volume dois daqui uns dias eu já disponibilizo...Fica também dica para quem comandará as picapes do novo Madame Satã.

1. Desireless - John (4:14)
2. Anything Box - World Without Love (4:15)
3. Industry - Sate of the Nation (3:30)
4. Peter Schilling - The Different Story (Razormaid (7:42)
5. Sandra - In the Heat of the Night (5:18)
6. Naked Eyes - Fortune And Fame (3:17)
7. Peter Godwin - Spoken Images (3:43)
8. Cetu Javu - Situations [7'' Version] (3:32)
9. Faith Assembly - Pool Of Tears (6:10)
10. A.K.A. - Cruel Lovin' (Boy-Boy Mix) (6:04)
11. Pete Wylie - Sinful (Tribal Mix) (8:05)
12. Secession - Touch (Part 3) (6:43)
13. Xymox - Imagination (Dance Mix) (6:29)

*parte 1*
*parte 2*

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

da bíblia do caos

A vida é mesmo assim, meio injusta: uns têm graça, outros tem espírito - a maioria tem apenas pedra no rins, mas tudo é destino!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

conversa informal - usp x maconha x polícia

Eis uma transcrição de uma conversa que tive esses dias com um amigo já que a moda de hoje é apontar culpados, se eleger os "mimados" da clásse média, prender traficantes que alimentam o bolso de policiais corruptos, crucificar comediantes, endeusar o feto de uma pseudo-celebridade e se esquecer de calamidades públicas mais urgentes como a aprovação em silêncio da Código Florestal Brasileiro, a orgia dos estádios para a Copa, a epidemia de crack e a ladroagem nos Ministérios etc...

William:
O que acha destes maconheiros de merda da USP fazendo protestinho?
Rod: Então, acho que há exagero de ambas as partes...
Penso que a polícia tem largar mão de tratar usuário como criminoso. Se fosse assim já teriam fechado até faculdades particulares que viraram antros de cerveja x cocaína x putaria...No entanto acho que há exagero dos estudantes que se travestiram de ativistas revolucionários. Acho que está tudo errado.
William: O que te acontece se a polícia te pegar fumando um baseado? Seja em qual lugar for.
Rod: Mas está errado. Isso por não poderia mais acontecer. Eu sou a favor da descriminalização da maconha.
William: O que aconteceu originalmente foi que a PM pegou uns três deles fumando maconha e os repreendeu. Dai houve uma reação de outros estudantes.
Rod: A legislação atual prevê punições distintas a usuário e traficante.
William: Certo, mas até que esta descriminalização ocorra, a PM tem um procedimento a seguir.
Rod: Acho que é a lei 11.343 se não me engano...A merda é a seguinte: a maconha está em mão de cartéis de traficantes e essa é a grandíssima merda.
William: Acredito que isso não justifica fazer o que estão fazendo. Veja bem, há lugar pra todos. Há estudantes na USP que são a favor da permanência da PM e fizeram até protesto a favor disso. Enquanto isso do outro lado o pessoal protestou e ficou no quebra quebra regado a maconha e bebida. Entende? Há esta desvalorização de atitude porque é uma revolta apenas.
Rod: Quanto merda acontece por uso de álcool desenfreado?
William: Estes mesmos revoltados se forem assaltados sem parar pelos marginais locais, eles vão fazer protesto porque a PM nunca passa por ali. A bola da vez agora é protestar porque estão ali atrapalhando o momento deles.
Rod: Acho que existe muito preconceito contra maconha...Muito, mas acho que há também um "glamour" exagerado de gente deslumbrada...E também uma hipocrisia enorme de quem acha que todo maconheiro é safado. Se esquece até dos benefícios medicinais que são obscurecidos pela industria farmaceutica. Pura hipocrisia. Eu acho que existe por trás desta história alguns interesses políticos que ainda não foram bem esclarecidos...O Estado, por exemplo, está louquinho pra privatizar a USP...Em compensação há forças de extrema esquerda instigando estes alunos e por isso acho que o buraco é mais em baixo. Tem nêgo que cheira pra caralho, bebe igual um gambá mata aos montes nas ruas e estradas e ninguém fala nada...
William: Eu sou a favor daquela marcha da maconha, por ex. Deveria existir a descriminalização, não discordo disso. Mas não desta maneira
que estão fazendo, não porque foram repreendidos fazendo uso em público. Eles devem amar quando a polícia invade uma favela e sai prendendo todo mundo, mas a polícia também não pode seguir o mesmo procedimento para impedir o uso em público.
Rod: Se a PM foi colocada lá pra zelar pela segurança não deveria ficar vigiando quem fuma ou quem deixa de fumar...Maconha e USP já fazem “parceria” há séculos...
William: Todos eles têm muito dinheiro. Porque não vão estudar lá em Harvard? Terão todos os direitos possíveis...
Rod: Acho que isso é chuva em copo d'água. Sabe que eu acho? Que com as redes sociais todo mundo virou dedo duro. Vigilantes da boa moral. No fundo isso é um tremendo dedo no cu...Estão errados sim de fazer baderna, mas policial tem que caçar traficantes e não usuários. O viciado já é um problema de saúde pública. Só legalizar e esclarecer que acaba com a boa parte da violência.
William: Agora falando sério cara...O motivo do protesto deveria ser a descriminalização da maconha e não a presença da PM lá. Porque se formos mesmo na raiz do protesto e levar ao pé da letra, então daqui a pouco estaremos protestando contra a presença da polícia nas ruas, em qualquer lugar.
Rod: A polícia está despreparada. E outra, esse protesto pela maconha já foi tida pelo Supremo como um movimento de liberdade de expressão, somente. Quando houve das primeiras vezes a polícia desceu a borracha porque é muito atrasada.
William: Porque quem estiver usando drogas, seja em qual lugar for, se barrado pela polícia, enfrentará problemas. O álcool é liberado, mesmo existindo penalidades que sejam acionadas somente nas consequencias do mesmo.
Rod: O supremo garantiu qualquer viés de liberdade de expressão e não de apologia. É constitucional. O que acho errado é que tem gente que fica mais pirada com álcool, mais do qualquer peguinha de maconha. Maconha deve ser liberada pra uso próprio e acho que cada um poderia ter sua plantinha em casa e não mais depender de bandido pra consumir. Se você proíbe cai em mão errada igual como ocorreu durante a lei seca dos EUA nos anos de 1930, a explosão de máfias e assassinatos, é o que aconteu na Colombia há 20 anos atrás e que acontece agora no México.
William: Mas do álcool não podem reclamar cara...Bebem há séculos lá na USP e ninguém nunca falou nada.
Rod: Lógico, mas estou dizendo dos efeitos, as consequencia pra saúde....Ai no Sul se confirmou que os jovens bebem cada dia mais cedo. E isso está relacionado ao uso de drogas mais pesadas não é a toa que ai também tem um dos maiores índices de consumo de crack e cocaína do País.
William: Claro...Cultura aqui de final de semana é a família em volta de uma churrasqueira com uma cerveja em volta.
Rod: Dizem que a maconha é porta de entrada pra outras drogas. Eu discordo. Eu acho que, por tudo isso, é o álcool...Consequentemente a porta de entrada é o “dealer”. Olha este vídeo do Jabor http://www.youtube.com/watch?v=t58nD6PrtAw&feature=related
William: É que infelizmente mais da metade da população não enxerga o álcool como droga. Eles só enxergam as drogas que levam o vendedor e o usuário para a cadeia.
Rod: Tem muitos documentários e pesquisas que confirmam que de fato existe um exagero muito grande...Preconceitos contra a maconha. Neste vídeo, ele resume bem o que eu penso.
William: Eu ouvi. Olha cara. Tem razão...
Rod: Pra mim, em dosagens pequenas, a maconha abre a mente se usada com coerencia...Você escapa deste mundo idiota e careta que exige que você fique sempre ligado numa realidade que te colocaram goela a baixo. Cocaína eu acho uma merda do caralho.
William: Mas violência e quebra quebra não se justifica. Vejo hipocrisia neste protesto justamente pelo que disse...Estes...São os primeiros a protestar contra a ausência da PM lá caso os bandidinhos voltem a barbarizar os estudantes.
Rod: Nada justifica a violência de ambas as partes. A falta de diálogo e informação carece muito. E a policia é uma instituição que é intolerante por natureza...Você está ligado os podres que tem dentro de uma corporação até mesmo tráfico. Alguns não sabem nem ler direito.
William: haha When Dreams Fall Apart?
Rod: Ainda vou ter meu sitio e meu pézin...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Passeio (Alfred Lichtenstein - 1913)


Tu, esses quartos
Fixos e as áridas ruas
E o rubro sol das casas,
A infame repugnância de todos
Os livros há muito já folheados –
Não os agüento mais.

Vem, precisamos sair da cidade
Para muito longe.
Vamos deitar-nos em
Suave gramado.
Ameaçadores e tão abandonados,
Contra o absurdamente grande,
Mortalmente azul, brilhante céu,
Levantaremos mãos choradas
E encantados,
Descarnados, apáticos olhos.

Alfred Lichtenstein foi um dos primeiros poetas expressionistas alemães. Ele nasceu 23 de agosto de 1889 em Berlim. Seus poemas foram publicados a partir de 1910 em alguns dos periódicos mais importantes do Expressionismo, como o Der Sturm. Cursou direito com pós-graduação sobre legislação teatral 1913, ano em que foi convocado para servir o exército em Monique. Em 25 de setembro de 1914 morreu no front da Primeira Guerra Mundial, aos 25 anos de idade.

sábado, 5 de novembro de 2011

Christian Death - Live at West Side Club, Lyon (France) - May 17, 1984

Rozz, sem dúvida, merece mais atenção por aqui, já que o número de notas sobre Valor Kand são maiores. Hoje o artista completaria seus inimagináveis 48 anos. Além de uma homenagem, este post é também um presente aos seus seguidores que sempre estão a caça de relíquias. Trata-se de um achado: uma gravação límpida de um show do Christian Death realizado em 17 de maio de 1984 durante a excursão francesa para divulgação do álbum Catastrophe Ballet e que foi transmita por uma rádio local de Lyon (Radio-Bellevue FM). Eis o porquê de sua boa qualidade sonora que supera (em termos de capitação) outros bootlegs que ganharam posteriormente edições "oficiais" em diversos formatos, por vários selos. Vocês perceberão uma pequena queda de qualidade nas duas últimas faixas, já que consegui achá-las separadamente (estavam sem remasterização, com aquele típico zunido da fita K7) – porém tentei dar uma equalizada para que o volume e os agudos ficassem num nível semelhante do restante. De qualquer maneira isso passa quase despercebido quando se entra no clima desta apresentação empolgante (o que mostra que a banda, em sua segunda encarnação, num dado momento estava bem entrosada) de deixar os fãs mais devotos de alma lavada. Bom download.

CHRISTIAN DEATH – Live at West Side Club, Lyon (France) - May 17, 1984
Setlist:
01. Awake at the Wall
02. Sleepwalk
03. The Drowning
04. Theatre of Pain
05. Cavity - First Communion
06. The Blue Hour
07. The Fleeing Somnambulist
08. Androgynous Noise Hand Permeates
09. Electra Descending
10. As Evening Falls
11. Face
12. Cervix Couch
13. This Glass House
14. Romeo’s Distress

Line up:
Rozz Williams (vocal)
Valor Kand (guitar/backing vocals)
Gitane Demone (keyboard/backing vocals)
Constance Smith (bass)
David Glass (drum)