domingo, 10 de maio de 2009

"Angels and Devils"


Dê o dia por encerrado
Quando a noite se torna nosso escape insano
Ao esquecer as coisas que você queria dizer
Quando todas as palavras certas saem tarde demais
E todas as coisas estão no lugar errado

Sob o travesseiro
Fora do páreo
Lá fora, pela janela
Diabos em meu ombro

Tão, tão feliz
Quando a felicidade se traduz em miséria
E o senhor eu esperando pra estar
No local onde a beleza encontra a feiura

E se você notar
O demônio em você
O anjo em mim
Jesus em você
O diabo em mim
Anjos em meu ombro

Dê o dia por encerrado
Quando a noite se torna nosso escape insano
Ao esquecer as coisas que você queria dizer
Quando todas as palavras certas saem tarde demais
E todas as coisas estão no lugar errado

Sob o travesseiro
Fora do páreo
Lá fora, pela janela
Diabos em meu ombro

Tão, tão feliz
Quando a felicidade se traduz em miséria
E o senhor eu esperando pra estar
No local onde a beleza encontra a feiura

E se você notar o demônio em você
O anjo em mim
Jesus em você
O diabo em mim

Os demônios em você
Os diabos em mim
Diabos em meu ombro
Anjos se aproximando

sexta-feira, 8 de maio de 2009

se for pra citar....

“Apenas os desafortunados são bons; os sofredores, os carentes, os doentes, os feios, apenas eles são dignos de devoção, de piedade, apenas eles são abençoados por Deus... e vocês, os poderosos e ilustres, vocês, ao contrário, são os maus, os cruéis, os devassos, os insaciáveis, os ímpios, os imorais por toda a eternidade, vocês serão os amaldiçoados, os condenados e os danados!”

ao invés do 'bom dia"

Já repararam que uma das coisas irritantes é quando alguém lembra que você esqueceu de alguma coisa inútil logo quando acorda?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

everything counts

Falta de inspiração deixa o corpo exposto a moléstias imbecis, de gente comum. Me incomoda em pensar em lógica; sentir o cérebro dançando no crânio como se fosse vítima de tortura numa gaiola apertada. Matemática, você sempre foi minha inimiga! Eu já te falei que te odeio? Quantas noite sem dormir por causa da suas cismas, exatidão e horas! Exatidão que me causa tanta exaustão, seus dias são curtos. Eu prefiro te evitar, mas te uso. Você tenta me envelhecer, mas luto como um vampiro contra sua maldita vontade. Talvez por burrice eu tento te ignorar, embora reconheça as suas inúmeras obras. Não, isso não é assumir a ignorância. Eu gosto de brincar com ordem de meu corpo...a ordem numérica da idade que você impõe. Porém, não te aceito pelo medo de encarar a vida com a frieza de um médico diante de um delito. "Ele morreu de acidente vascular!" Eis mais umas das suas infelizes vítimas que tentou sair do trilho ou que tentou se entregar por inteiro no jogo da tua falsa abundancia. Ah! você a golpeou com um machado em sua nuca...Santa pontualidade, você tentou diminuir sua culpa deixando o aniquilado sorrindo para todos. Lá se foi mais um algarismo .

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Apague a fumaça! É hora de servir!

Duas jovens debruçadas na janela riam em cascata e conversam sem compromisso nas longas tardes que passavam juntas, tragando elegantemente seus cigarros. Existia ali uma aliança meio clandestina, uma aspiração ao individualismo ao gozo permanente, pelo menos a idéia era aliviar a lembrança de uma infância não muito agradável, onde a repressão católica havia amputado boa parte de suas liberdades; mas isso não havia mudado logicamente, já que a educação torta as encaminharam a este desgosto. A abstração era essencial. Eu admirava o jeito franco daquelas prosas e me encantava em tentar compreender como os sons provenientes de suas bocas enfumaçadas poderiam causar-me tamanha comoção. Não lembro exatamente as palavras, porém boa parte das conversas eram lamentos de seus recentes casamentos; eram olhares pessimistas para um futuro traçado por deveres domésticos, filhos, corpos deformados e maridos que mais pareciam formigas operárias e que dentro de casa interpretavam o patético papel de ditadores. Regra dentro de regra, uma troca ou escolha estranha dentro de dias iguais. Um amor que tinha de existir por imposição e ser exteriorizado de forma patética. Os sorrisos amarelos não eram por conta da nicotina! A campainha ou o som de chave soava como sirenes. A "simples" presença das formigas já era uma ordem para as amigas cessassem o calor das conversas num cinzeiro. Depois de muito tempo descobri que era preciso mesclar os seus tabacos e, como não pude avisá-las antes, hoje constantemente eu presto meu tributo à elas.

inverno 94



Então vi um homem sentado ao lado de uma choupana bem humilde; ele parecia guardar o lugar com um olhar distante, como se evocasse um pesar guardião. O sol do final daquele dia deixava o campo alaranjado, num tom onírico. Atravessamos o cemitério do manicômio cuidadosamente, respeitando aquele silêncio. As cruzes brancas enfileiradas compunham um belo balé estático; orquestravam uma atmosfera de pavor. Entre elas, haviam alguns cadáveres de animais (a maioria de coelhos brancos) servidos como despacho numa noite recente - o sangue de cor viva em plumas muita claras eram de uma composição muito simpática, como se compensasse a dor daquele sacrifício. Aquelas velas e garrafas vazias com rótulos diabólicos sorriam para mim. Eram os loucos e amargurados que jaziam naquela terra - eles eram os verdadeiros obstáculos que deveríamos enfrentar. "E quando o sol partir?" era pergunta que sempre ressoava. Éramos garotos que tinham uma banda de garagem e nossas bicicletas já tinham enfrentado caminhos muitos esquisitos naquele período. Muitas inspirações e poucas composições, mas o que enriquecia as tardes de tentativas dissonantes que trilhavam estas experiências. Voltar por aquele atalho não fazia parte de nossa vontade, embora sabíamos que isso nos traria um medo fundamental que distrairia nosso tédio. Seguimos em frente e depois desta paisagem mortífera, passamos por dentro do hospital e seguimos por um campo de grama crestada, banhado por um lago de águas negras, coberto de cinzas. O inverno estava cortante e seco, o que fez que algumas queimadas se alastrassem. Eu não sei que obsessão era aquela de chegar ao topo do Ovo do Pato (como era conhecido um monte bem redondo que ficava cercado por uma vasta plantação de eucaliptos) . Enfim, a segunda pausa foi num depósito abandonado de cadeira de rodas. Este armazém causou calafrios, o que tornou nossa volta mais desesperada. Cada um então seguiu um caminho distinto. Alguns parecidos, alguns se renderam ao cotidiano ou a extravagância. Ao me lembrar desses fatos, tento interpretar os motivos de minha danação!

terça-feira, 5 de maio de 2009

passion of lovers 2


Há almas excêntricas que fatalmente te abalam. Por onde busca forças para que a distancia e o tempo não te aflijam? És uma angústia que torna-te forte para o futuro? Não sei se isso é um presente sincero diante dessas condições. Você sabe que age em função desta falta. Se o torturador estivesse aqui tudo seria um pouco melhor? Dividiríamos nossos medos, nossas afinidades e segredos. Algumas almas são marcantes e deixam cicatrizes irreversíveis. Você adota alguns de seus caprichos como forma de aproximar-se ou mesmo invocá-la. Dizer isso é tornar-se vitima exposta ao abate, mas quem consegue guardar tais turbulências? Respirações de alivio não são sinais de vitória, são pausas para torrentes maiores dessas inquietações que constantemente te visitarão. A vida não é tão tola ao ponto de te conceder uma liberdade tão gratuita. Seria demais herdarmos apenas a razão de nossos cérebro semi-desenvolvido. O amor é uma bifurcação e o afastamento tem lá as suas doses funcionais. O amor é do mesmo modo o principio de um abraço letal. Então, cuide de você.