terça-feira, 24 de junho de 2014

Nascimento (Georg Trakl)



Montanhas: negror, neblina e neve.
Vermelha, a caça desce a floresta;
Oh, os olhares de musgo da presa.

Silêncio da mãe; sob pinheiros negros
Abrem-se as mãos dormentes
Quando, vencida, aparece a fria lua.

Oh, o nascimento do Homem. Noturna murmura
A água azul no fundo da rocha;
O anjo decaído olha em suspiros sua imagem,

E pálido corpo desperta em câmara úmida.
Duas luas

Iluminam os olhos da anciã pétrea.
Dor, grito que dá à luz. Com asa negra
A noite toca a têmpora do menino,
Neve que desce de nuvem purpúrea.

(Tradução: Cláudia Cavalcante)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Cadavres Exquis #7


  1. UK Decay - The Black Cat
  2. Cat Party - Tar & Feathers
  3. Modern Art - Still Life
  4. Leningrad Sandwich - The Plan
  5. Killing Joke - Birds Of A Feather
  6. Theatre of Hate - Grapes of Wrath
  7. Bakterielle Infektion - Sleepless
  8. Remain In Silence - Hope In Fear
  9. Borghesia – Divlja Horda
  10. Fools Dance - They'll Never Know
  11. Autumn - Night In June
  12. Marc and The Mambas - Empty Eyes
  13. Aroma Di Amore - Zij Is Blij 
  14. Red Lorry Yellow Lorry - Generation
  15. Tones on Tail - Now We Lustre
  16. The Wake (UK) - Give Up
  17. Mona Mur - My Lie
  18. Morticia - Mortal Fear
  19. Xno - I Can't Cry
  20. Virgin Prunes - I Am God
Hoje às 21hs na Rádio Enter The Shadows

terça-feira, 17 de junho de 2014

U.B.S.S (Luiz Felipe Pondé - 16/06/2014)


O leitor e a leitora já estão a par do decreto do governo que institui a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social? Trata-se de decreto para aparelhar movimentos como o MST (gente que quer tomar a terra alheia), o MTST (gente que discorda da ideia de que se deve pagar pelo teto em que mora) e outros movimentos que englobam gente "sem algo" e acham que a sociedade deve dar pra eles. Esses grupos darão um golpe de Estado invisível. Tudo fruto, é claro, de setores do PT radical e os raivosos ex-PT, hoje em pequenos partidos.
Esse decreto é um golpe de Estado sem dizer que é. Lentamente, os setores mais totalitários do país, amantes de ditaduras do proletariado (ou bolivarianas) voltam à cena no Brasil. Comitês como esses tornam os poderes da República reféns de gente que passa a vida sendo profissional militante. Quando você acordar, já era, leis serão passadas sem que você possa fazer algo porque estava ocupado ganhando a vida.
Pergunte a si mesmo uma coisa: você tem tempo de ficar parando a cidade todo dia, acampando em ruas todo dia, discutindo todo dia? Provavelmente não, porque tem que trabalhar, pagar contas, levar filhos na escola, no hospital, e, acima de tudo, pagar impostos que em parte vão para as mãos desses movimentos sociais que se dizem representantes da "sociedade".
Mas a verdade é que a maioria esmagadora de nós, a "sociedade", não pode participar desses comitês porque não é profissional da revolução.
Tais movimentos que se dizem sociais, que afirmam que as ruas são deles, mentem sobre representarem a sociedade. Mesmo greves como a do metrô, capitaneada por uma filial do PSTU, não visa apenas aumentar salários. Visa instaurar a desordem para que o Brasil vire o que eles acham que o Brasil deve ser.
Afinal, de onde vem a grana que sustenta essa moçada dos movimentos sociais? A dos sindicatos, sabemos, vem dos salários que são obrigatoriamente onerados para que quem trabalha sustente os profissionais dos sindicatos. Mas, até aí, estamos na legalidade de alguma forma. Mas e os "sem-Macs" ou "sem-iPhones", vivem do quê? Quando os vemos na rua, não parecem estar passando fome e frio como dizem que estão. Essa gente é motivada e sustentada de alguma forma.
Por que não se exige entrar nas contas do MST e MTST e descobrir de onde vem a grana deles? Quem banca toda essa estrutura militante? Temo, caro leitor e cara leitora, que sejamos nós, os mesmos que eles consideram inimigos, a menos que concordemos com eles.
Uma das grandes mentiras desses movimentos sociais é dizer que combatem a "elite econômica", que, aliás, em dia de greve, fica em casa porque não precisa de fato se virar pra ir trabalhar.
Quem sofre com esses movimentos que arrebentam o cotidiano é gente que perde o emprego, perde o negócio, perde a vida se fica parada no trânsito ou na fila. É gente que, quando muito, anda de carro 1.0, não gente que anda de helicóptero.
É diarista, empregada doméstica, porteiro de prédio, professor, estudante sem grana e que tem que pagar a faculdade, não riquinhos da zona oeste paulistana que fazem sociais para infernizar a vida dos colegas.
É médico que tem três empregos, é dona de casa que cuida de filhos e trabalha fora, é trabalhador da construção civil, é gente "mortal", comum, que não pode se defender dos caras que fecham a cidade dizendo que fazem isso em nome do "povo".
Os movimentos sociais têm demonstrado seu caráter autoritário. Pensam que as ruas são o quintal de seus comitês, que aparelharão os poderes da República.
Se não bastasse isso tudo, vem aí o controle social da mídia. Dizer que será apenas para evitar monopólios é achar que somos idiotas. Veja o que aconteceu na Argentina.

sábado, 14 de junho de 2014

Prova de que a palavra por vezes deforma totalidade do ser


Artaud, em todas as formas que exerce sua poética, busca a pre-sença em sua totalidade, ou seja, no movimento onde o ser se re-vela e se des-vela. Por isso — apesar da importância da linguagem em seu ser-no-mundo — renega a palavra do ente, a palavra dialogal que se presta ao papel de assessório da linguagem articulada. Na existencialidade, Artaud reivindica a palavra do Ser, a palavra-ser, a palavra-lugar, física e concreta, que se faz pre-sença, onde o pensamento possa expressar sem se tornar refém da linguagem meramente articulada, pois no mundo das representações, a linguagem em Artaud deve ser entendida como tudo aquilo que ocupa a cena e que pode se manifestar e exprimir materialmente numa cena e que — antes de tudo — se dirija aos sentidos, ao invés de se direcionar primeiro lugar ao espírito acostumado com a linguagem das palavras. Daí, o ser-no-mundo na possibilidade da substituição da poesia da linguagem por uma poesia do espaço que já não pertence estritamente às palavras, considerando que a poesia no espaço se dá como possibilidade de criar uma espécie de imagens materiais capazes de superar as imagens das palavras.
"Mas trata-se justamente de saber se a vida não é mais atingida por uma descorporização do pensamento com conservação de uma parcela de consciência num algures indefinível com uma estrita conservação do pensamento. Não se trata, contudo, de esse pensamento trabalhar no vazio, de cair na desrazão, trata-se sim de produzir-se, de lançar chamas, ainda que loucas. Trata-se de existir. (...) porque eu não chamo ter pensamento, ver corretamente, direi mesmo, pensar corretamente, para mim, ter pensamento é manter o seu pensamento, estar em estado de o manifestar a si próprio, de tal forma que ele possa responder a todas as circunstâncias do sentimento e da vida. Mas principalmente responder-se a si próprio[13].
Se a existência humana reside na possibilidade (ser-no-mundo) e não naquilo que foi dado (estar-lançado) significa que o homem tem a responsabilidade de se projetar para poder-ser e fazer da vida um projeto. E para que se realize a possibilidade deste ser-no-mundo como pre-sença, faz-se necessário ter a compreensão e a interpretação dos caracteres existenciais da abertura do ser-no-mundo.
Mas a compreensão e a interpretação aos caracteres existenciais da abertura do ser-no-mundo quando o ser-no mundo cotidiano se detém no modo de ser do impessoal, deve se dar com um propósito puramente ontológico para — mantendo-se distante da crítica moralizante da pre-sença, bem como de um discurso que se pretende uma "filosofia pura" — se abrir possibilidades de demonstrar o verdadeiro poder-ser da pre-sença. Porque toda compreensão traz em si a possibilidade de interpretação, o que significa uma apropriação daquilo que se compreende. Mas, considerando que as palavras não se prestam apenas ao papel de nomear as coisas, faz-se necessário uma hermenêutica para uma interpretação capaz de des-velar o sentido do Ser.
Devemos então considerar que, independentemente do projeto que o homem elege dentre as inúmeras possibilidades que se lhe abrem para a vida, uma se destaca como certamente realizável: a morte. A morte como a única experiência direta e vedada por princípio, considerando que esta experiência se apresenta apenas com a morte do outro. Mas é vivida como possibilidade existencial que cresce e amadurece à medida em que se vive.
É dizer que além de um ente que está-aí, lançado no mundo, o homem está lançado para a morte. É ser para a morte, para o nada que se apresenta como a possibilidade que define a existência.
Assim, daquilo que se pode chamar de existência autêntica, significa a consciência para a morte, não como uma eventualidade empírica, mas algo pelo qual a existência se define antes de qualquer coisa.

trecho extraído DAQUI

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Cadavres Exquis #6 (Especial Sexta-Feira 13)



  1. Laika & The Cosmonauts - Psycko (Themes From Psycho And Vertigo)
  2. The Cramps - Fever
  3. Cat's Eyes - Face In The Crowd
  4. The Motivations - The Birds
  5. Alien Sex Fiend - Wild Women
  6. Chop Shop - Razo Shop Death Bop
  7. The Birthday Party - Nick The Stripper
  8. The Holy Kiss - Mercy Train
  9. Inca Babies - Big jugular (Peel session)
  10. The Cravats - Off The Beach
  11. Bone Orchard - Jack
  12. Sunglasses After Dark - Swamp Baby
  13. Frankenstein - Black Train Rollin'
  14. Crystal Stilts - Graveyard Orbit
  15. Turkey Bones And The Wild Dogs - Shake
  16. Kip Tyler - She's My Witch
  17. The Gun Club - Death Party
  18. Fur Bible - Plunder the Tombs
  19. Living In Texas - Godemokrafasc
  20. The Bomb Party - Sugar Sugar 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

The Sound ‎– Jeopardy · From The Lion's Mouth · All Fall Down ...Plus


Já escrevi algumas matérias do The Sound por aqui. Umas delas acabou entrando para sessão de artigos no site oficial de Adrian Borland. Falar da banda para mim é uma grande satisfação, pois é uma forma de fazer parte da trajetória deste que é um dos rebentos do pós-punk que eu mais gosto. A injusta falta de reconhecimento ao talento do Sound durante sua existência é sempre compensada por alguma homenagem póstuma a altura, que tenta de alguma forma exaltar a sua qualidade sonora e legado. Os relançamentos de alguma forma fazem parte destas reverências. Maio deste ano foi um mês que selo inglês Edsel Records (especializado em re-issues) nos presenteou com uma caixa com 4 cd's da banda: Jeopardy, From The Lions Mouth, All Fall Down e BBC Live Concert. Os dois primeiros álbuns (Jeopardy e From The Lions Mouth) já haviam ganhado em 2012 uma re-edição simples pelo selo 1972, no entanto não continham lados B e raridades de bônus como nas versões apresentadas nesta caixa.  Já All Fall Down e BBC Live até então eram tidos como relíquias uma vezes que suas tiragens pela Renascent, quando encontradas, velem não menos que 30/50 libras. BBC Live In Concert é uma versão abreviada de The BBC Recording (Renascent) - este CD possui apenas dois concertos gravados em 1981 e 1985, enquanto o original trás também os broadcasts dos programas de Mick Read (09/10/1981) e John Peel (16/11/1981). Seria interessante se todos os albuns fossem relançados num box mais completo. Eu fico indagando se este não é apenas a primeira parte do que pode vir (e torço para ser!). In The Hothouse, Shock Of Daylight & Heads And Hearts e Thunder Up dariam uma bela e merecida sequencia. Jeopardy · From The Lion's Mouth · All Fall Down ...Plus também serve de introdução aos novos fãs do The Sound que devem ficar mais atiçados com este item "deluxe" que trás um booklet de 36 páginas com fotos, letras e uma grande resenha do colecionador discos/entendedor de música alternativa Tim Peacock.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cadavres Exquis #5

 
Hoje às 21hs na Rádio Enter The Shadows.
  1. OMD - The New Stone Age
  2. Entertainme.nt - China Walls
  3. Twisted Nerve - Seance
  4. Dark Day - No, Nothing, Never
  5. Siglo XX - Youth Sentiment 
  6. Gloria Mundi - Condemned To Be Free
  7. Kuudes Tunti - Kuinka Tänään Voit 
  8. Astaron - Lance the Ensemble
  9. Schleimer K - The Stay
  10. Danielle Dax - Fizzing Human Bomb
  11. B Movie - Nowhere Girl (original version)
  12. Wasted Youth - Maybe We'll Die
  13. The Essence - A Mirage
  14. Magazine - Permafrost
  15. New Model Army - Betcha
  16. Dead Or Alive - I'm Falling 
  17. The March Violets - Crow Baby
  18. Cuddly Toys - Pierrot Lunaire
  19. Vital Signs - Trading In Guilt
  20. The Comsat Angels - Gone