segunda-feira, 28 de abril de 2014

A arte de enganar os pobres (por Ferreira Gullar)


A esse populismo, que surgiu na América Latina há alguns anos, entendi de chamá-lo de neopopulismo para distingui-lo do outro, de décadas atrás, originário da direita, como o de Perón, na Argentina, e o de Getúlio Vargas, no Brasil; o atual, que Hugo Chávez intitulou de socialismo bolivariano, como o nome está dizendo, quer ser socialismo, isto é, de esquerda.


De fato, não é nem socialismo nem de esquerda, mas sim uma contrafação do projeto revolucionário que, em nosso continente, após o fim da União Soviética, ficou num beco sem saída: não podia insistir na pregação de uma ideologia que fracassara nem converter-se ao capitalismo, contra o qual pregava. 

Por algum tempo, o PT ainda teimou em sua pregação esquerdista, mas, em face das sucessivas derrotas de Lula como candidato à Presidência da República, teve que mudar o discurso e, ao chegar ao governo, seguir as determinações do regime capitalista. Mas teve a esperteza de usar o poder para ampliar ao máximo o assistencialismo, em suas diversas formas, desde o Bolsa Família até medidas econômicas para ampliar o consumo por parte das camadas mais pobres.
A preocupação, portanto, não era, e não é, governar visando o bem-estar da nação como um todo, mas, sim, usar a máquina do Estado para crescer politicamente. O neopopulismo é isso: distribuir benesses às camadas mais pobres da população para ganhar-lhe os votos e manter-se indefinidamente no poder. 

Não resta dúvida de que reduzir a miséria, melhorar as condições de vida dos mais necessitados, está correto. O que está errado é valer-se politicamente de suas carências para apoderar-se do governo, da máquina oficial, dos recursos públicos e usá-los em benefício próprio, sem se importar com as consequências que decorreriam disso. 

É nas consequências que está a questão. A desigualdade social é inaceitável, e o objetivo de um governo efetivamente democrático é enfrentar esse problema e fazer o possível para resolvê-lo; como não é fácil resolvê-lo, deve, pelo menos, tomar as medidas certas nessa direção. Mas é mais fácil fingir que o resolve. 

Foi Marx quem disse que só se muda o que se conhece. Noutras palavras, para resolver um problema como o da desigualdade social, há que conhecer-lhe as causas e as dificuldades para superá-las. É uma ilusão pensar que ele só existe porque os governantes nunca quiseram resolvê-lo. Isso, em muitos casos, será verdade, mas não basta querer. Pior ainda é fingir que o está resolvendo, lançando mão do assistencialismo demagógico próprio do populismo. 

É fácil assumir o governo e passar a dar comida, casa e dinheiro a milhões de pessoas; dinheiro esse que devia ir para a educação, para o saneamento, para resolver os problemas da infraestrutura, ou seja, para dar melhores condições profissionais ao trabalhador e possibilitar o crescimento econômico. Esse é o caminho certo, que nenhum governante desconhece e, se não o segue, é porque não quer. O resultado é que não se formam profissionais e torna-se inviável o produto exportável, fonte de recursos para o crescimento econômico. 

As consequências inevitáveis desse procedimento são, por um lado, induzir milhões de pessoas a não trabalharem e, por outro, inibir o crescimento econômico, enquanto aumentam os gastos públicos.
O neopopulismo, fingindo opor-se à desigualdade social, na verdade induz os beneficiados pelo Bolsa Família a só aceitarem emprego se o patrão não assinar a carteira de trabalho, o que constituiu uma conquista do trabalhador brasileiro. E foi o governo do Partido dos Trabalhadores que os levou a esse retrocesso. Pode? Não por acaso, o Brasil é hoje um dos países onde se pagam mais impostos no mundo, enquanto o número dos que vivem do dinheiro público aumenta todos os dias. Fazer filhos tornou-se fonte de renda. 

Assim é o populismo de hoje, que veio para supostamente reduzir a pobreza, quando se sabe que uma família, por receber mensalmente menos da metade de um salário mínimo, não deixa de ser pobre. Claro, não passa fome, mas jamais sairá do nível de carência, a que se conformou, subornada pelo assistencialismo governamental. Esse é o verdadeiro mensalão, que compra o voto de milhões de eleitores com o nosso dinheiro.

sábado, 26 de abril de 2014

Christian Death & Rozz news # 2


Depois de uma curta tour em outubro do ano passado, Valor Kand está prestes a lançar um álbum de inéditas. Há uma grande expectativa por parte de seus fãs que não consomem material novo desde 2007, quando American Inquisition saiu. Intitulado The Root of All Evilution deve seguir a mesma linha do último trabalho; pelo menos é o que se pode sentir ouvindo as músicas "The Selfish Gene" e "You Can't Give it Back", executadas em suas recentes apresentações. Embalados com o fôlego deste material fresco, a banda anunciou para maio a excursão européia de comemoração dos 30 anos do álbum Catastrophe Ballet que será tocado na integra, além de outras músicas. Estas apresentações também contará com a exibição do documentário What Jesus Looked Like dirigido por Darryl Hell, o mesmo de Behind The Mask do Death in June. What Jesus Looked Like (que tem lançamento em DVD previsto para junho, pelo selo Furnance Records) é resultado de uma longa conversa que Darryl teve com o Christian Death, "depois diversas" doses de vinho. Com esta "gestação" etílica, o vídeo deverá ter um ar bem confessional a ponto de colocar a limpo muitas as polêmicas em que a banda esteve envolvida, incluindo, talvez, a saída e briga com de Rozz Williams e todos os argumentos sobre os direitos sobre o nome "Christian Death". Mesmo que você não goste de Valor, parece ser algo imperdível.





Enquanto Rozz continua sua (dolorida, porém inspiradora para ele) caminhada pelo "vale dos suicidas", os seus lançamento póstumos não param de pipocar. Mês passado, em meio ao festejo do dia do disco de vinil, a Frontier Records lançou um 7" do Christian Death original com capa gate-fold trazendo fotos inéditas da banda tiradas pelo lendário Edward Colver, um cara que documentou como ninguém a cena punk da Califórnia do final dos anos de 1970 e começo dos 80's. Edward foi o fotógrafo que mais clicou o Christian Death em sua fase áurea (1981/82, incluindo as sessões para o encarte do álbum Only Theatre of Pain). Com o título de The Edward Colver Edition, o compacto trás as músicas "Cavity - First Communion (Alternative Version)" e "The Lord's Prayer" registradas em vinil branco. Contando com uma edição de 2.500 cópias, trás, além das belas fotos que ilustram a capa, também um poster, o que torna este item obrigatório ao fãs mais devotos.





Janeiro de 2012 foi a data do ultimo (re)lançamento do Premature Ejaculation pela série "The Lost Recordings". Sem responder os meus e-mails, existe a especulação que o selo esteja passando por apuros ou que os organizadores da série tenha brigado (sem contar a possibilidade de que a família de Rozz estar na disputa da detenção destas obras). Eu ainda não perdi as esperanças de que um dia isso desemperre de vez e que possamos incluir mais material do Premature em nossa coleção. Esta esperança reacendeu quando tive a notícia do relançamento do álbum Death Cultures I pelo pequeno selo italiano Looney-Tick Productions, especializado em coisas estranhas e experimentais. Lançado originalmente em fita K7 no ano de 1987, Death Culture I foi o primeiro trabalho da segunda encarnação do Premature Ejaculation que contava com Chuck Collision no lugar de Ron Athey. Depois do lançamento do segundo e consagrado álbum Assertive Discipline (trabalho do projeto que mais ganhou diferentes edições - K7, LP e CD), Death Culture ganhou em 1988 duas sequencias que fechavam a trilogia (Death Cultures II e III). Seguindo a roupagem meio "caseira" iniciada pela Malaise Music, Death Culture I sairá no dia 9 de maio numa edição limitadíssima de 100 cópias em cd-r, remasterizado e com a capa diferente da original em formato digipack.