quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Magnus Opus pra esquisitões, punks, goths & industriais...

Vocês já chegaram a imaginar que algum dia preciosidades em DVD do Alien Sex Fiend, Einstürrzende Neubauten ou Cabaret Voltaire poderiam sair um dia aqui, no Brasil? Se não fosse a Magnus Opus isso seria quase impossível...Com o catálogo repleto de raridades, filmes de artes e outras doideiras cinematográficas, esta editora resolveu também fazer a alegria dos amantes do punk rock, pós-punk e outros sons de vanguarda que já serviram como trilha sonora para algumas de suas películas que, em contrapartida, influenciaram diretamente tais estilos. Muitos dizem que a Magnus nada mais é que uma subsidiaria da reprodutora Continental, que se desintegrou devido a sérios problemas autorais (além das péssimas prensagens e erros na maioria de suas legendas, o que fez com que seus lançamento fossem postos sub suspeita). Alguns destes DVD’s musicais os quais me refiro fazem parte do acervo do lendário selo inglês Cherry Red. Não se sabe, devido esses boatos e evidencias de má reputação de pirateadora, se os direitos destas obras foram devidamente e legalmente licenciados – eu tenho as minhas dúvidas já que alguns títulos e capas autênticas foram ignorados ou alterados como se a intenção fosse burlar o detentor destes conteúdos. De qualquer maneira, é bom aproveitar este balaio, mesmo que os preços destas edições tupiniquins não sejam lá essas coisas. No entanto, vale lembrar que adquirir essas peças genéricas fica um pouco mais em conta, uma vez que se você for importar os originais corre-se risco de pagar aquelas malditas taxações da Receita Federal.
Confiram os títulos (que mais me chamaram atenção) com as respectivas sinopses que constam em seus versos:

Alien Sex Fiend - Edit+Overdose
Quando punk-rock surgiu no final nos idos de 1970, parecia que os anos 80 já estavam com sua estética musical definida, de tanto que foi seu impacto. Mas foi neste cenário que surgiu uma novidade avassaladora. O quarteto Alien Sex Fiend, subverteu tudo ao conseguir a ousadia de atrair os fãs de psychobilly, punk, goth rock e música eletrônica. The Cramps, Alice Cooper, Danielle Dax e The Stooges foram às referências para um crossover violento de ruídos eletrônicos com pedais de guitarra. Esta edição digital registra shows e clipes de 1983-87. Com isso podemos testemunhar porque Marilyn Manson parece uma criança ingênua perto de Nik Fiend.

Nico – Incognito & Library Theater Manchester
Uma das figuras mais enigmáticas e fascinantes do rock, Nico trabalhou e se envolveu romanticamente com várias lendas dos anos 60. Antes da música, ela foi uma top model de sucesso na Europa, fazendo também uma ponta em “La Dolce Vita” de Fellini. Na metade dos anos 60, mudou-se para New York e conheceu Andy Warhol, que foi a sua ajuda estratégica para a entrada no grupo Velvet Underground. Partiu para uma carreira solo com ajuda de John Cale, e fez história. Neste DVD encontra-se 2 show raros de 1983.


Divine – A Musa Do Underground
Ultrajante, bizarra, audaciosa, provocadora. E talentosa? Sim, Divine é uma performer completa. Foi, nos filmes de John Waters, que ela praticamente surgiu, fazendo papéis hilários. Divine (nome real é Harry Glenn Milstead) foi ator, cantor e dragqueen. No início dos anos 80, sua carreira na música deu um salto, por ela não ter concorrentes. Sua vulgaridade no palco a tornou única e original. Neste DVD temos 2 shows históricos e raros no lendário Hacienda Club, em 1983.

Felt - A Declaration
FELT foi uma das bandas de indie rock, mas enigmáticas da Inglaterra. Liderada pelo talentoso songwriter Lawrence Hayward, transformou sua obsessão Tom Verlaine e Television, numa sonoridade lânguida pop-minimalista. O grupo surgiu em 1979 e rapidamente se transformou num grupo cultuado, tendo como sua música principal a belíssima “Primitive Painters”, imortalizada no dueto com a Elizabeth Frazer (Cocteau Twins). Este DVD é o registro ao vivo de um concerto em Londres de 1987. Inédito no Brasil.

Cabaret Voltaire*
Depois do grupo alemão 'Kraftwerk', ter mixado a vanguarda da música eletrônica com a pop, aconteceu um lapso de tempo nos anos seguintes na música eletrônica. Em 1978 surgiu o 'Cabaret Voltaire' com a vanguarda 'crossover'. Nesse DVD poderá ser encontrado a mistura de videoarte, cinema, política, microfonia, pedais de efeito, colagens de gravações antigas, distorções de guitarras, bases eletrônicas, interferências magnéticas em 'low technology', dadaísmo e pós-modernismo.

Einstürrzende Neubauten - ½ Mensch
O japonês Sohgo Ishii é um influente e cultuado cineasta, acostumado a realizar filmes experimentais bem radicais. Em 1985, durante uma viagem do grupo alemão Einstürrzende Neubauten pelo Japão , Sohgo realizou um dos filmes mais impressionantes da arte contemporânea, misturando diversas linguagens: música, vídeo-instalação, dança Butô e cinema. Dentro de um contexto urbano apocalíptico, o Neubauten provoca um grande acontecimento artístico, unindo o caos com a cultura milenar japonesa. Fantástico.

Laibach - Passado e Futuro*
Laibach é um coletivo formado no início dos anos de 1980 na ex-Iuguslávia, qua conectava a música insdustrial, eletrônica, arte conceitual, teatro, espírito punk e discurso sócio-político. Laibach: Passado e Futuro - é um esclarecedor documentário, que mapeia a situação tensa e frágil que se encontrava toda a região oriental-socalista da Europa. Paralelamente, vamos conhecer a origem do Laibach e como eles enfrentaram o regime autoritário com shows transgressores, resultando até na expulsão deles do país.

Test Dept. – Program For Progress (82-84)*
Test Dept. foi um dos grupos mais obscuros e importantes da música pós-industrial da Inglaterra. Surgiu no sul de Londres em 1981 e fundiu o espírito do punk, com a sensibilidade revolucionária da vanguarda européia. Low-tech, barulhos orquestrados, restos de sucata, instalações esculturais, filmes antigos e música eletrônica, são os elementos para criar uma atmosfera caótica, dinâmica e original. Este DVD reúne vídeos-instalações produzidas entre 1982-84.

*Esses três títulos marcados com asteriscos, estão reunidos também numa caixa chamada Coleção Caos e Colapsos. Imperdível para os fãs destes ícones máximos da música industrial européia!

Buzzcocks - Auf Wiedersehen
O grupo britânico de Manchester, Buzzcocks, centralizado no trio de músicos - Pete Shelley, Howard Devoto e Steve Diggle, foram influenciados por um show de seus compatriotas Sex Pistols. Para formar uma das mais interessantes bandas de pop punk. O estilo energético e irônico acabou criando seguidores como The Fall e Green Day. Neste DVD temos o registro histórico de um de seus melhores shows, em Hamburgo de 1981

Sex Pistols – Em Longhorn, 1978
O Sex Pistols aterrorizou os americanos na pacata Longhorn, num show antológico de 1978. Johnny Rotter, Steve Jones, Paul Cook e o lendário Sid Vicious, colocam todo mundo em histeria coletiva, cantando os clássicos “Anarchy in the UK”, “God Save the Queen” e “E.M.I”. Este raro registro entrou para a história do grupo como um dos mais tensos, no meio de americanos violentos e desconfiados com a rebeldia insana do quarteto punk.

Jello Biafra Em Dead Kennedys Em 1984
Dead Kennedys entrou para o hall da música punk pelas letras selvagens e subversivas, além das performances eletrizantes que deixavam seus fãs enlouquecidos. Um de seus melhores shows foi registrado por Dirksen em São Francisco, 1984. Nazi punks Fuck off, MTV Get off the air, Police Truck, Bleend for me, We´ve got: A Bigger problem now, entre outras músicas, aparecem neste histórico show. As imagens são raras e não foram conservadas adequadamente, gerando variações de cores e dropouts. Mas de certa forma ela colabora para a atmosfera punk anarquista do mitológico grupo de Jello Biafra.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nos embalos dos domingos negros....


Depois de eu ter resgatado as memórias de alguns K7 confeccionados pelo Projeto Black Sundays do DJ Tonyy, o próprio idealizador e o Cid disponibilizam em seus respectivos blogs os mais expressivos subprodutos deste que foi sem dúvida uma das iniciativas mais legais que tivemos dentro do cenário gótico nacional. Para cumprir de fato o papel de divulgador desta manifestação cultural (como o próprio Tonyy definia as tais tendências góticas, repudiando, com coerência, a expressão "movimento gótico") os materiais editados para tal missão chamavam atenção pelo capricho e acabamento. No blog do Cid é possível baixar em pdf todos os volumes do periódico Enter The Shadows, além uma resenha de apresentação destes fanzines que foram com certeza os percussores de muitos outros do estilo semeados no circuito alternativo paulistano a partir da segunda metade da década de 1990...Já o Tonyy, depois de muitos tempo sem postar em seu blog, disponibilizou para download as famosas/cultuadas/disputadíssimas coletâneas (já há muito tempo fora de catálogo) "Black Sundays Compilation" (os dois volumes) e "Treibhaus" (trilha sonora/homenagem ao lendário club do mesmo nome) que trazem sons que fazem a cabeça e trás boas lembranças aos mais nostálgicos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The Cult - "Lucifer" (single)


Hoje saiu o novo single do The Cult, intitulado "Lucifer" que precede o lançamento do álbum Choice of Weapon previsto para sair em 22 de maio. O peso continua, nos moldes do álbum anterior, Born Into This (2007) e das "capsulas" lançadas ano passado. "Lucifer" apresenta um rock honesto sem firulas. Porém, os conceitos são mais sérios - os ares místicos revelam que suas inspirações vão desde os acontecimentos que abalam o Oriente Médio à retomada da persona shamanica de Mr. Astbury que evoca em suas letras estes tempos obscuros, mas estimulantes ao levante cultural espetacular que assistimos por ai. A capa de Choice of Weapon é uma prova de toda esta temática.


Me agradou...e o mais legal que esta a amostra pode ser baixada gratuitamente no

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma terrinha do caralho

Eu não quero parecer bairrista, mas de que maneira foram educados alguns cariocas? De onde vem este espírito carniceiro que se aproveita até da desgraça alheia? Não digo que a malandragem seja um “dom” exclusivamente fluminense, no entanto é fato aquele povo ajudou a disseminar essa esperteza à boa parte da população do Brasil, que vê ainda no Rio de Janeiro uma fonte de inspiração “glamuroza” dos piores vícios (que gringo chama de “exótico” ou “conduta primitiva”). A prova mais simples disso tudo está na assustadora realidade das periferias dos quatros cantos deste país ter adotado o funk como "hino" subversivo das classes menos favorecidas que encontram na violência e no sexo uma forma de abstração e transgressão ao estado de abandono que se encontram. Ali no Rio, o patife é levado a sério, faz parte da cultura, faz escola (de samba), santifica o jogo do bicho e enche a bola de prostitutas com seus anseios de sub-celebridades...Enfim, a lista é grande, maior até mesmo que a carreira de cocaína consumida pelos seus emergentes caricatos, dignos de pena, pois ilustram de forma muito exata a aristocracia em processo de decadência; uma metáfora viva que representa o caminho que a terra carioca tem a seguir. Diante deste “dons culturais” já enraizados, é de se lamentar como a coisa é forte, cria tentáculos de corrupção, desmembra a sociedade e desemboca em tragédias como a da semana passada. A coisa não ganhou maiores proporções por forças políticas que querem preservar (na real; e mal) o caráter funcional daquele balneário tão judiado por pessoas de baixa categoria. A Globo, por exemplo “faix queixtão” de abafar as atitudes de fim de feira...Vimos há quase um após as chuvas torrenciais na região serrana, gente que deveria salvar vidas furtando objetos pessoais de defuntos que mal esfriaram...Sim, tinha gente da mesma Corporação Policial que fez aquela grave toda se auto afirmando heróis injustiçados. Ora, se o cara zela por uma corporação, deveria saber que o todo é feito por partes, e se ele está ali apenas para receber seu misero salário nada justifica por para fora seu lado podre, como se fosse vítima de um Estado que não atende suas necessidades básicas. O oportunismo também é o responsável por fazer aflorar em si seu lado carniceiro, em que a morte serve como uma oportunidade suja se apossar daquilo que não é seu? Eu não me surpreendo mais, pois está difícil também identificar o que são UPP’s e o que são milícias que fomentam seus conchavos entre políticos e traficantes...Veja, a policia (sim a mesma que tantos santificam e que prende aquele que a xinga filha da puta, não Rita Lee?) tem como um dos seus orgulhos o Corpo de Bombeiro, aliás é tida como a profissão mais honesta e heróica segundo algumas pesquisas. Esta semana nós tivemos três prédios do centro do Rio vindo a baixo...Comovente, mas gravíssimo já que com o passar dos dias estamos, é confirmada que o tal jeitinho brasileiro de se fazer um puxadinho e costurices no cafofo, somado a conivência dos órgãos responsáveis pela fiscalização, foram as causas do terrível acidente...Ainda assim, o que me enojou mais foi ver que as aves de rapina subordinadas dos tais poderes públicos (ou paralelos?) mais uma vez em ação: voltaram a fazer um arrastão no local, transformando os escombros um verdadeiro garimpo de pertences das vítimas (sem contar o erro gravíssimo de terem levado um defunto no meio do entulho para um deposito da prefeitura, quilômetros dali). Há quem acredite piamente que achado não roubado ou que roubar de morto não “é um pecado tão grave”. E a novela no estilo horror se repete... Se isso é feito contra está morto, quem dirá quem está vivo e vendo isso envergonhado, indignado. Saques, atitudes bárbaras é a essência de alguns brasileiros que desaprenderam a ser cidadãos pela imposição do sistema de consumo violento que ínsita de forma estarrecedora sua face egoísta e promiscua...Na terra do vale tudo (sem querer fazer alusão aos bombados da nova classe mérdia daqui e acolá), o Rio de Janeiro agora se torna emblemático...Seja na urgência ineficaz de curar a cicatriz de suas favelas quanto o deslumbre quase messiânico do Pré-Sal...Mas isso é muito chato de se matutar, não é? Deixa o carnaval passar – é tudo fácil quando tudo acaba em samba, pois é da malandragem e do “do ta ruim, mas ta bom” que o brasileiro tenta regurgitar a sua melancólica complacência que ele insiste em chamar de alegria. O Cristo redentor é a cruz de um túmulo enorme abençoado por “Deus”, um sujeito que com certeza não é brasileiro e é uma parte alheia de uma terra que já deve ter sido maravilhosa.

sábado, 28 de janeiro de 2012

recolhimento obrigatório

Esta dose abençoada de inverno paulistano em pleno verão me fazer ter mais certeza que a vida social não é para mim, pois ela acarreta desperdício de energia, falso contentamento e diálogos dignos de vergonha alheia. Hibernação compulsória é a palavra de ordem.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A ressaca gótica e pouco inspirada das coleções de inverno 2012 do SPFW

Criadores na SPFW não trazem novas imagens para moda

Vivian Whiteman
Colaboração para a Folha

Na edição mais fraca da São Paulo Fashion Week nos últimos anos, as novas (ou, ao menos, vibrantes) imagens de moda foram raridade.
E quando os criadores deixam de oferecer novas histórias para inspirar a roupa nossa de cada dia, o que sobra é uma lista de tendências parecida com a de compras feita para o supermercado.
No seu armário existem peças transparentes, couro, dourados, veludo e tecidos metalizados? Então talvez você nem precise encher o carrinho para entrar na onda do inverno 2012.
Talvez falte uma peça de couro em vermelho. O tom mais "sangue vivo" dessa cor apareceu no desfile da Ellus, especialmente no couro.
De repente, você pode ter vontade de voltar a usar o "veludo molhado", aquele bem molenga e com brilho, sucesso nos anos 90. O tecido foi o campeão de presença nos desfiles.
Gosta de vampiros, bruxas, e monstros das trevas? Pois essa foi uma das poucas imagens de inspiração propostas pelos estilistas da SPFW. Sabe a Natasha da novela "Vamp"? O Edward de "Crepúsculo"? Então. Os figurinos do filme "Drácula de Bram Stoker" também vão ajudar você a entender essa estética.
Analistas políticos e pesquisadores de comportamento dizem que o mundo está num impasse.
Entre atos violentos, protestos vazios e utopias de butique, as pessoas parecem mesmo presas num limbo infernal sugador de energia vital. E isso se refletiu nas coleções dos criadores mais dispostos a se conectar com as questões de seu tempo.
A paranoia do "vender mais a qualquer custo" talvez tenha a ver com a fase sem vigor da moda (não só no Brasil). Assim como na vida fora das passarelas, o "ganhar mais a qualquer custo" tem levado muitas almas ao caminho triste da depressão e do esgotamento.
Especialmente quando a defesa do dinheiro acima de todas as coisas tem de ser disfarçada sob ideais furados e justificativas capengas.
Vários grandes criadores, do glamouroso Alber Elbaz, da Lanvin, ao rebelde Alexander McQueen, antes do suicídio, já falaram sobre como as pressões extremas do mercado afetaram negativamente seus trabalhos.


FRIO N'ALMA

Até a exposição armada pelo evento no térreo da Bienal era de dar calafrios. Em andaimes, roupas de estilistas da semana de moda dividiam espaço com telões exibindo filmes nos quais eles falavam de seus processos criativos.

Embaixo deles, pilhas de carvão. No ar, uma névoa artificial e paredes pretas. Entre os andaimes no local, fotos soturnas e, entre elas, imagens de pessoas pintadas de demônios, gente boiando em rios, figurações da morte. De arrepiar.

Na passarela, as representações dessa era sinistra apareceram em poucas coleções.

Da religião destituída de seus dogmas e transformada em cultura de rua (Alexandre Herchcovitch masculino e Reinaldo Lourenço) ao tormento depressivo (João Pimenta), a Folha elenca as cinco imagens de moda mais fortes da temporada.

São cinco personagens (veja no quadro ao lado), cinco tipos que ajudam o público a entender a inspiração dos estilistas e pensar sobre elas. E o resto? O resto são roupas, bonitas ou não, que vão estar (muitas delas, aliás, já estão) nas vitrines.